Resenha “Manual Judaico”
- Filipe de Sá Parisi
- há 4 horas
- 3 min de leitura

Esta é a resenha do livro “Manual Judaico: Instruções para Conversão, Bar Mitzvah e Bat Mitzvah”
O que é o Judaísmo ?
O livro começa enfrentando uma dúvida básica, mas muito comum: afinal, o que é o judaísmo? O livro deixa claro que não se trata apenas de uma religião. O judaísmo é apresentado como uma combinação inseparável de religião, povo e nação. Essas três dimensões se sobrepõem o tempo todo e só fazem sentido quando vistas juntas.
A imagem do “cartão de visita do judaísmo” ajuda a entender isso. Nesse cartão imaginário, o judaísmo se apresenta ao mundo dizendo quem ele é: uma tradição religiosa, um povo com história própria e uma identidade nacional construída ao longo dos séculos. Tentar reduzir o judaísmo a apenas um desses aspectos sempre leva a uma compreensão incompleta.
Língua
A língua aparece no livro como um dos pilares da identidade judaica. O hebraico não é tratado apenas como um idioma antigo ou litúrgico, mas como uma linguagem que conecta o judeu à sua história, às suas orações e aos textos sagrados. Mesmo quem não domina o hebraico se relaciona com ele por meio das rezas, dos símbolos e das expressões do cotidiano judaico.
O livro também reconhece o papel de outras línguas judaicas, como o ídiche e o ladino, que surgiram na diáspora e ajudaram a manter viva a identidade do povo judeu em diferentes partes do mundo. A língua, aqui, não é apenas comunicação, mas memória e pertencimento.
Símbolos judaicos
Os símbolos judaicos aparecem como elementos que traduzem ideias complexas de forma simples e visual. A menorá, a mezuzá, o talit, os textos sagrados e outros símbolos não são apresentados como objetos místicos, mas como lembretes constantes da identidade judaica e de seus valores.
O livro reforça que esses símbolos fazem sentido dentro de um contexto maior. Eles apontam para a ligação entre religião, povo e história, ajudando a manter viva a consciência de quem se é e de onde se vem.
Calendário judaico
O calendário judaico ocupa um papel central na organização da vida judaica. O livro mostra que o tempo, no judaísmo, não é neutro. Ele é sagrado e estruturado por ciclos. O Shabat, celebrado toda semana, é o exemplo mais claro disso: um tempo separado para descanso, espiritualidade e convivência familiar.
As festas judaicas, como Pessach, Rosh Hashaná, Yom Kipur, Sucot e Chanucá, não são apenas datas comemorativas. Cada uma carrega um significado histórico e espiritual que reforça a memória coletiva do povo judeu. O calendário conecta passado, presente e futuro de forma contínua.
Ritos e cerimônias
Os ritos e cerimônias acompanham o judeu ao longo de toda a vida. O livro percorre momentos como o nascimento, o brit milá, o Bar Mitzvah e o Bat Mitzvah, o casamento e os rituais de luto, mostrando que cada fase é marcada por práticas que dão sentido e continuidade à tradição.
No caso do Bar e do Bat Mitzvah, o Manual destaca que não se trata apenas de uma celebração social. Esses ritos marcam a entrada do jovem na vida adulta judaica, quando ele ou ela passa a assumir responsabilidades religiosas, éticas e comunitárias. É um momento de compromisso, não apenas de festa.
Valores e ideais
Ao longo do livro, fica claro que o judaísmo é sustentado por valores e ideais que vão além dos rituais. Ética, justiça, responsabilidade social, respeito ao próximo e compromisso com a comunidade aparecem como princípios centrais da vida judaica.
As mitzvot não são apresentadas como obrigações vazias, mas como caminhos para viver esses valores na prática. O livro reforça que a vida judaica não se limita ao espaço da sinagoga, mas se estende ao trabalho, à família e às relações cotidianas.
Identificação com Israel
A ligação com a Terra de Israel é tratada no livro como parte essencial da identidade judaica, muito anterior ao surgimento do Estado moderno. Israel é apresentado não apenas como um território político, mas como um elemento histórico, cultural e espiritual que atravessa toda a tradição judaica, presente nos textos bíblicos, nas orações, nas festas e na memória coletiva do povo judeu.
Nesse contexto, o livro aborda o sionismo como um movimento histórico surgido no final do século XIX, cujo objetivo era o restabelecimento de um lar nacional judeu em sua terra ancestral. O sionismo é apresentado como uma resposta às perseguições, ao antissemitismo e à condição de vulnerabilidade vivida por judeus na diáspora, e não apenas como um projeto político isolado.
A criação do Estado de Israel intensificou, para muitos judeus ao redor do mundo, o sentimento de identificação e responsabilidade coletiva. Mesmo vivendo na diáspora, o judeu mantém uma conexão simbólica e afetiva com Israel, visível nas orações, nas festividades e na solidariedade demonstrada em momentos históricos marcantes. Essa identificação convive com a lealdade aos países de residência e reforça a noção de continuidade, pertencimento e identidade compartilhada de um povo com raízes profundas e história comum.



