Judaísmo no Brasil VS Religião Tradicional: Qual é a melhor para entender a cultura? Entrevista com Charton Baggio, líder nacional da Brit Bracha Brasil
- Brit Bracha Brasil

- há 4 dias
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Se você já ouviu falar da Brit Bracha Brasil, provavelmente também já se perguntou como ela funciona, quem pode participar e o que realmente significa viver um judaísmo acessível no mundo de hoje. E se você ainda não a conhece bem, essa entrevista com Charton Baggio, líder nacional da instituição, é uma porta de entrada direta para esse universo.
Logo no início da conversa, Charton se apresenta de forma simples, quase desarmante. Em vez de títulos ou formalidades, ele se define como alguém comum que, desde 2013, coordena um projeto ousado: levar o judaísmo para além das paredes da sinagoga e da yeshivá, usando a internet como ponte.
Entrevistador: Quem é Charton Baggio?
Charton Baggio: “Sou uma pessoa normal, como qualquer outra, e desde 2013 coordeno os trabalhos da Brit Bracha Brasil, um projeto pioneiro de levar o judaísmo de forma acessível para o mundo inteiro.”
A entrevista avança para um tema que costuma gerar curiosidade e controvérsia: o judaísmo reformista. Charton explica que, mais do que ritualística ou indumentária, o foco está em quatro pilares centrais que orientam a vida do judeu reformista.
Entrevistador: O que significa, na prática, ser uma sinagoga reformista?
Charton Baggio: “Nosso foco é a ética, a justiça, a moral e o amor. Cumprimos mandamentos, mas o centro da vida judaica está em como vivemos e impactamos a sociedade.”
Outro ponto que chama atenção é a explicação sobre a legitimidade da Brit Bracha, especialmente por não estar vinculada às federações judaicas mais conhecidas. A resposta de Charton desloca a discussão do poder institucional para algo mais profundo: princípios, tradição e vivência comunitária.
Entrevistador: Como saber se a Brit Bracha é uma instituição legítima?
Charton Baggio: “O judaísmo não tem dono. Somos uma comunidade judaica com rabino ordenado, práticas comunitárias e filiação internacional.”
Quando o tema passa a ser filiação, a proposta da Brit Bracha se revela com ainda mais clareza. A comunidade nasce justamente para atender judeus e não-judeus interessados que vivem longe dos grandes centros e que, muitas vezes, não têm acesso a uma vida comunitária presencial.
Entrevistador: Quem pode se unir à Brit Bracha Brasil?
Charton Baggio: “Qualquer judeu sincero e qualquer pessoa que tenha no coração o desejo de se unir ao povo judeu, independentemente de onde esteja.”
A conversa não foge de assuntos delicados. Um deles é a taxa cobrada no processo inicial, algo que costuma gerar estranhamento em quem busca orientação espiritual. Charton responde contextualizando o valor dentro da tradição judaica, do compromisso comunitário e da ação social.
Entrevistador: É correto cobrar uma taxa de quem busca espiritualidade?
Charton Baggio: “Não é cobrança por fé, é compromisso com o caminho, com a comunidade e com a ajuda a quem precisa.”
A entrevista também aprofunda o conceito de comunidade à distância. Para Charton, a experiência online não apenas substitui a presencial, mas cria vínculos fortes e duradouros entre pessoas de diferentes países, culturas e realidades.
Entrevistador: Dá para falar em comunidade sem convivência física?
Charton Baggio: “A internet não enfraquece a comunidade, ela a amplia e, muitas vezes, a fortalece.”
Na parte final, o diálogo entra no tema da conversão, detalhando um processo longo, estruturado e profundamente educativo, que envolve estudo, vivência comunitária e avaliação espiritual. Charton faz questão de deixar claro que não se trata de um caminho rápido nem superficial.
Entrevistador: Como funciona o processo de conversão?
Charton Baggio: “É um processo sério, com estudo profundo, vivência comunitária e avaliação da essência da pessoa.”
A entrevista se encerra com uma reflexão poderosa sobre espiritualidade, inclusão e o papel da mulher no judaísmo. Charton defende que valorizar a mulher não é romper com a tradição, mas resgatar dimensões que sempre estiveram presentes na Torá.
Charton Baggio: “Não estamos indo contra o judaísmo, estamos resgatando o papel espiritual da mulher.”
Essa conversa é mais do que uma explicação institucional. É um convite para repensar o que significa comunidade, fé e compromisso espiritual em um mundo conectado, diverso e em constante transformação.
Se você quer entender melhor como tudo isso se traduz na prática, com exemplos, histórias e reflexões que não caberiam neste texto, vale muito a pena assistir à entrevista completa.
Entrevista completa: https://youtu.be/nIjadWK_GZI







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