O Choshen Mishpat e o Brilho da Nossa Comunidade Hoje
- Dr. Luiz Antônio Araújo de Souza

- há 14 horas
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Nesta semana, a Parashat Tetzaveh nos convida a uma jornada detalhada pela construção do Mishkan, o Tabernáculo, e das vestes sagradas dos sacerdotes. Em meio a descrições meticulosas, um artefato em particular captura a nossa atenção e ressoa com uma poderosa mensagem para os nossos dias: o Choshen Mishpat, o peitoral do sumo sacerdote.
Entre os versículos 28:18-21, lemos sobre as doze pedras preciosas que adornavam este peitoral, dispostas em quatro fileiras. Cada pedra, única em sua cor, brilho e composição, era cuidadosamente gravada com o nome de uma das doze tribos de Israel. O sumo sacerdote, ao se apresentar diante de D'us, carregava os nomes de todo o povo, de cada tribo, literalmente sobre o seu coração.
Esta imagem antiga nos oferece uma lente poderosa para refletir sobre nossa própria contemporaneidade e os desafios que enfrentamos:
1. A Sinfonia da Diversidade: Cada Pedra, Uma Voz Única
Pense nas doze pedras. Um rubi flamejante ao lado de uma safira celestial, um diamante cintilante perto de uma esmeralda vibrante. Cada uma com suas características distintas, mas todas juntas formavam um conjunto de beleza e propósito divinos.
Essa é uma lição fundamental para o nosso mundo de hoje, onde a diversidade é frequentemente celebrada em teoria, mas nem sempre valorizada na prática. Em nossas comunidades, em nossos locais de trabalho, e na própria sociedade, somos um mosaico de indivíduos. Temos diferentes histórias, origens, talentos, opiniões e perspectivas. Assim como cada tribo tinha sua identidade, cada um de nós traz algo singular. O Choshen Mishpat nos ensina que a verdadeira força e beleza de um coletivo não residem na uniformidade, mas na capacidade de integrar e honrar a riqueza de suas diferenças. Ignorar ou diminuir uma "pedra" é empobrecer o peitoral inteiro.
2. Liderança e Empatia: Carregando o Outro no Coração
A responsabilidade do sumo sacerdote era monumental: ele representava todo o povo. Carregar os nomes das doze tribos sobre o coração não era apenas um adorno; era um símbolo de compromisso profundo. Em cada passo, em cada oração, ele levava consigo as esperanças, as dores e as aspirações de cada indivíduo.
Para os líderes de hoje – seja na política, nos negócios, nas comunidades ou em nossas famílias – o Choshen Mishpat é um lembrete vívido da essência da liderança. Significa transcender interesses pessoais ou de grupo e realmente se conectar com as necessidades e sentimentos daqueles que são liderados. É um chamado à empatia ativa, à escuta genuína e a tomar decisões que considerem o bem-estar de todas as "tribos" que compõem o nosso "peitoral" social.
3. O Valor de Cada Contribuição e o Legado Coletivo
Nossa vida moderna, especialmente em um ambiente comunitário ou de equipe, muitas vezes nos leva a questionar a relevância de nossa contribuição individual. "O que eu posso fazer?" ou "Minha pequena parte realmente importa?" são perguntas comuns.
A Parashá Tetzaveh nos responde com a imagem de cada pedra, por menor que fosse, sendo indispensável para a integridade do Choshen Mishpat. Não havia pedra "menos importante". Cada uma era essencial para o brilho e a funcionalidade do todo. Da mesma forma, em nossos projetos, em nossas famílias, em nossas sinagogas, cada pessoa – com suas ideias, seu tempo, seu trabalho, sua presença – é uma "pedra preciosa" vital. É a soma de todas essas contribuições singulares que forma um "peitoral" forte, resiliente e capaz de gerar um legado duradouro.
Um Convite à Reflexão
A mensagem do Choshen Mishpat transcende a liturgia antiga. É um convite atemporal para avaliarmos como construímos nossas relações, nossas equipes e nossas comunidades.
Estamos realmente valorizando a singularidade de cada pessoa ao nosso redor?
Estamos, como líderes e indivíduos, carregando os outros em nossos corações, com genuína empatia e responsabilidade?
Reconhecemos que cada uma de nossas contribuições, por menor que pareça, é indispensável para o bem maior?
Que possamos nos inspirar na sabedoria da Parashat Tetzaveh para construir "peitorais" modernos – comunidades e sociedades – onde cada "pedra" seja reconhecida, valorizada e brilhe em sua plenitude, contribuindo para uma tapeçaria coletiva de inigualável beleza e propósito.




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