Como a parashat Terumah nos ensina a elevar o cotidiano? (Êx 25:23–30)
- Mayra Luanna

- há 1 hora
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Na Parashat Terumah, a Torá nos apresenta um convite divino:
“Fala aos filhos de Israel e separem para mim uma oferenda; de todo homem cujo coração o impelir a isso, tomareis Minha oferenda”.
Shemot/Êxodo 25:2
A palavra terumah vem da raiz rum, que significa “elevar”. Não é apenas uma doação material, mas é um movimento de elevação interior. O Eterno não precisa da nossa oferta, mas Ele recebe porque a verdade é que nós precisamos dele e, para alcançar esse momento de elevação, nós aprendemos a transformar aquilo de concreto que possuímos em algo sagrado.
Nesta porção, a Torá descreve a Shulchan (mesa) do Mishkan, onde eram colocados os Lechem HaPanim, os “pães da presença”. A mesa não representa apenas sustento físico, mas dignidade, constância e aliança. O pão era trocado toda semana e nunca faltava. Veja como a santidade também habita o cotidiano. Comer, trabalhar, sustentar a casa e entre outras atividades rotineiras podem ser atos de elevação quando são realizados com consciência.
Terumah, portanto, não representa apenas dar algo, mas elevar o que já temos. É transformar matéria em significado. A madeira da mesa, o ouro que a reveste e o pão colocado sobre ela são objetos simples, mas para aqueles que conseguem entender o propósito dessa união de itens, entende o quão santo é aquele lugar. O Eterno faz morada onde a boa vontade prevalece.
Essa leitura ganha um significado ainda mais interessante quando coincide com o mês de Adar. E a tradição nos ensina:
“Mishenichnas Adar marbim besimchá”
“Quando entra Adar, aumenta-se a alegria”
Adar é o mês que recebe Purim, a festa que celebra a reversão do destino no livro de Ester. Nós aprendemos que, naquela história, não há milagres explícitos como a abertura do mar ou o maná caindo do céu. O milagre acontece nos bastidores da história, através dos atos de esperança, coragem e justiça das pessoas que se ofereceram como instrumentos da vontade divina para libertar do povo judeu da falsidade e da tirania.
Ofertar é um gesto de revelar o oculto e elevar o que é aparentemente simples aos nossos olhos, mas rico em significados para o Criador.
Em um mundo marcado por polarizações, crises identitárias e excesso de informação, a parashat Terumah nos ensina que a reconstrução começa no interior. O Mishkan não foi construído por imposição, mas por contribuição voluntária “de todo homem cujo coração o impelir a isso”. A espiritualidade judaica não nasce da coerção, mas do desejo sincero de participar.
Hoje, a nossa terumah pode ser o tempo dedicado à família, a preparação do lar para receber o Shabat com beleza, a caridade feita com a intenção de aliviar a dor do outro e a preservação da tradição em meio à assimilação. Cada gesto pode se tornar elevação.
A mesa descrita na Parashá nos lembra que a santidade não está apenas no extraordinário, mas também nos movimentos simples da vida: levantar-se, caminhar para o trabalho, sentar-se em um parque ou repousar ao final do dia.
A Torá nos desafia a construir pequenos Tabernáculos dentro de nossas casas, onde a presença divina possa habitar não por milagre espetacular, mas porque escolhemos. Que possamos transformar nossas mesas em altares de dignidade, nossas casas em espaços de luz e nossas contribuições (grandes ou pequenas) em verdadeiras ofertas elevadas que revelam a presença de Hashem para todos.







"tranformar nossas casas em espaços de luz"... Lindo! ❤️ 👏👏👏