O Segredo Judaico Para Fazer Dinheiro - Parte III
- Reginaldo Eugenio Ramos Teodoro
- há 12 horas
- 3 min de leitura
Parte 3 — Esta é uma série sobre dinheiro, desejo e aquilo que quase nunca é ensinado
Desejo e limite na Kabbalah

(taavah — תאווה)
Este texto continua uma série. Ele não fecha nada. Pelo contrário: aperta um pouco mais a pergunta. Se algo aqui parecer incompleto, é porque a tradição que estamos seguindo não resolve tensões rapidamente. Ela as mantém vivas.
Quando se fala em desejo, o senso comum imediatamente pensa em excesso. Ganância. Falta de controle. Mas a Kabbalah começa de outro lugar. Ela não pergunta se o desejo é bom ou mau. Ela pergunta como ele se move.
Na linguagem cabalística, o desejo é chamado de taavah (תאווה). E isso já deveria causar desconforto. Taavah não é vício, nem pecado automático. É força. Impulso. Tendência de atração. Sem taavah, nada se move. Não há criação, não há construção, não há sequer busca espiritual.
O problema nunca foi o desejo em si.
O problema começa quando o desejo perde relação com limite.
Nos textos da Kabbalah, especialmente nos comentários associados ao Zohar, o desejo aparece sempre ligado à ideia de recipiente. Não existe desejo abstrato; existe desejo em algo. E isso muda tudo. Porque a pergunta deixa de ser “o quanto eu quero” e passa a ser “o que me sustenta enquanto eu quero”.
Aqui, mais uma vez, a resposta é adiada.
A Kabbalah descreve que todo fluxo de abundância, todo shefa (שפע), precisa de um recipiente adequado. Quando o desejo cresce mais rápido do que o recipiente, ocorre desequilíbrio. Não é punição divina. É consequência estrutural. Desejo sem forma gera ruído; desejo sem limite gera ruptura.
É nesse ponto que muitos se perdem. Confundem intensidade com profundidade. Confundem expansão com amadurecimento. A Kabbalah não condena querer mais. Ela desconfia de querer sem saber por quê.
Por isso o desejo, na Kabbalah, nunca aparece sozinho. Ele vem acompanhado da exigência de kavanah (כוונה), intenção. Não intenção como pensamento positivo, mas como alinhamento interno. Para que eu quero isso? O que esse desejo está tentando compensar? O que ele constrói além de mim?
Essas perguntas não são morais. São estruturais.
Quando o desejo não encontra limite interno, ele busca limite externo. E quase sempre o encontra na forma de colapso. Relações rompidas. Ansiedade crônica. Acúmulo vazio. Sucesso que pesa mais do que sustenta. A Kabbalah descreve isso sem drama, quase clinicamente.
É aqui que o dinheiro começa a reaparecer, ainda que não seja nomeado. Porque poucas coisas amplificam tanto a taavah (תאווה) quanto o dinheiro. Ele promete resolver, mas apenas intensifica. Ele não cria desejo; ele o acelera.
Por isso, na Kabbalah, o verdadeiro trabalho nunca é “atrair mais”. É construir recipientes mais íntegros. Esse trabalho recebe o nome de tikun (תיקון), reparo. Um processo lento, repetitivo, muitas vezes invisível. Nada que combine com discursos de sucesso instantâneo.
A resposta continua suspensa.
O limite, aqui, não é repressão. É forma. Assim como um rio só flui porque tem margens, o desejo só se torna criativo quando encontra contorno. Sem isso, ele se espalha, invade, destrói.
Nos próximos textos desta série, vamos aproximar ainda mais essa dinâmica da vida concreta. Vamos falar de dinheiro explicitamente, mas sem abandonar a pergunta central. Vamos mostrar como a Kabbalah entende prosperidade não como acúmulo, mas como equilíbrio entre fluxo e contenção.
Quem espera técnica pode se frustrar.
Quem suporta examinar o próprio desejo costuma se surpreender.
(continua na próxima parte da série)



