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O Segredo Judaico para Fazer Dinheiro - Parte 2


Parte 2 — Esta é uma série sobre dinheiro, Judaísmo e o que quase nunca é dito


A Kabbalah nunca ensinou a ganhar dinheiro


(Ela ensinou algo bem mais perigoso)


Antes de continuar, é importante dizer claramente: este texto faz parte de uma série. Nada aqui foi escrito para funcionar sozinho, nem para entregar conclusões rápidas. A tradição que estamos explorando não ensina por atalhos — e o dinheiro, menos ainda.


Quando se fala em Kabbalah e dinheiro, quase sempre se espera uma técnica. Um segredo. Um código oculto. Um nome divino pronunciado no momento exato. Mas talvez o primeiro deslocamento necessário seja este: a Kabbalah nunca se interessou diretamente por dinheiro.


Ela se interessa por fluxo.


Fluxo de energia, de intenção, de desejo, de responsabilidade. O dinheiro aparece apenas como um dos lugares onde esse fluxo se revela — e, muitas vezes, onde ele se rompe.


Nos textos clássicos da Kabbalah, especialmente no Zohar, o mundo não é dividido entre material e espiritual, mas entre recipientes capazes de conter e recipientes que se quebram. A linguagem é simbólica, mas a implicação é profundamente humana.


A tradição chama isso de shevirat ha-kelim (שבירת הכלים) — a “quebra dos vasos”. No Zohar, essa ideia aparece como uma dinâmica cósmica; na vida concreta, ela descreve algo bastante reconhecível: quando o desejo cresce mais rápido do que a estrutura interna, o colapso é apenas questão de tempo.


Aqui, a pergunta começa a se mover — mas ainda não responde.


Já não é “como atrair mais?”.

É: o que acontece comigo quando recebo mais do que consigo sustentar internamente?


Essa pergunta raramente é feita por quem busca prosperidade. E talvez por isso ela seja tão central na Kabbalah.


Outro conceito recorrente é o de shefa (שפע), geralmente traduzido como “abundância”. Mas no Zohar, shefa não significa acúmulo. Significa fluxo contínuo e proporcional. Algo que circula. Algo que passa. Algo que exige canais limpos e intenção alinhada. Abundância interrompida vira pressão; pressão constante vira ruptura.


Por isso a Kabbalah sempre desconfiou da pressa. Ela não trabalha com “manifestação”, mas com tikun (תיקון) — reparo. Processo. Ajuste fino. Repetição paciente. Nada que combine com promessas instantâneas.


Nesse ponto, o dinheiro retorna — não como objetivo, mas como espelho. Ele revela se o desejo está orientado para construção ou compensação. Revela se a pessoa quer sustentar algo que permaneça ou apenas preencher um vazio que não sabe nomear.


Talvez por isso os textos cabalísticos quase nunca falem diretamente de enriquecimento. Eles falam de kavanah (כוונה) — intenção. Não intenção como pensamento positivo, mas como alinhamento entre ação, consciência e responsabilidade. Quando esse alinhamento falha, mesmo grandes ganhos se tornam ruído.


A resposta ainda não vem. E isso é deliberado.


Nos próximos textos desta série, vamos retirar com cuidado — e sem marketing espiritual — aquilo que foi vendido como “segredo da Kabbalah para ganhar dinheiro”, mas que nunca pertenceu à Kabbalah de fato. Vamos separar símbolo de superstição, ética de fetiche, profundidade de promessa vazia.


Quem procura truques talvez se frustre.

Quem aceita permanecer mais tempo com a pergunta costuma descobrir algo mais exigente.


E mais transformador.


(continua na próxima parte da série)




 
 
 

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