Conversão deslegitima - Parte II
- Alberto Paulino de Mello Neto
- há 5 dias
- 2 min de leitura
Por que espectadores externos buscam deslegitimar a origem por conversão?
“Conversão” como arma ideológica moderna
Muita gente não discute conversão para entender judaísmo — discute para negar judaísmo.

As categorias raciais usadas contra os judeus não nasceram no judaísmo, mas na Europa moderna.
Apesar da posição judaica clara, a noção de “conversão” passou a ser usada, sobretudo a partir dos séculos XIX e XX, como instrumento político de deslegitimação. Não se trata de um debate interno ao judaísmo, mas de uma narrativa externa, empregada tanto por discursos antissemitas quanto por radicalismos ideológicos modernos.
A lógica costuma ser apresentada como um “encadeamento racional”, mas é uma falácia:
se os judeus descendem de conversos, então não haveria continuidade histórica
se não há continuidade, não haveria legitimidade
se não há legitimidade, o judaísmo — e por consequência o sionismo — seriam construções artificiais.
Esse raciocínio falha em vários níveis.
porque aquilo que o judaísmo chama de gerut nunca rompeu continuidade: historicamente, trata-se de incorporação plena ao povo judeu.
porque identidade judaica nunca foi definida por genética, mas por pertencimento comunitário, legal e histórico.
porque o argumento projeta sobre o judaísmo uma noção racial moderna — herdeira de categorias europeias do século XIX — completamente estranha à própria tradição judaica.

A retórica da “falsa origem” sempre serviu para negar legitimidade, não para buscar verdade.
O ataque, portanto, não é teológico — é político. Ele tenta reduzir um povo-civilização a um “teste de autenticidade”, como se a existência judaica dependesse de pureza biológica. Mas o judaísmo sempre funcionou de outro modo: ele integra sem se dissolver.
sempre funcionou de outro modo: ele integra sem se dissolver.
O argumento “você é descendente de converso, logo não é legítimo” é arma ideológica moderna, não crítica judaica.



Para entender demografia judaica, é preciso olhar para história real — não mitos modernos.
Agora vem a parte histórica que costuma ser manipulada: Cazares e Himyaritas. O que de fato aconteceu? E por que isso não explica a demografia judaica?
Continua no Post 3.
Fontes básicas:
David Nirenberg, Anti-Judaism• George L. Mosse, Toward the Final Solution
Bernard Lewis, Semites and Anti-Semites







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