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Teu teste de ADN deu uma porcentagem de Judeu? O que isso significa?


Por: Rabbi Jacques Cukierkorn


Eu venho aqui hoje compartir com vocês uma uma pergunta que alguém me fez que eu achei muito curiosa, muito relevante e muito moderna; que é o seguinte, que na verdade tem a ver com a confluência entre o Judaísmo e a ciência. Eu lamento muito dizer para vocês que o judaísmo não é científico. O judaísmo promove a ciência, muitos judeus são cientistas, porém, enquanto religião, o judaísmo se rege por regras claramente estabelecidas e antigas que não tinham às vezes muito de ciência.


Ok! Então qual foi a pergunta a pergunta e que eu já vi muito no Brasil? O pessoal faz o teste de ADN, esse aqui acho que você tira um pouco de coisa da dentro da bochecha, aí você manda e aí te mandam o teu resultado dizendo você tem 14% de búlgaro, 17% de não sei o que e 1% de judeu. então, o sujeito me liga aqui no Kansas City dizendo: "Rabino eu descobri que eu tenho 1% judeu, então quero aprender o judaísmo." Aí eu tento explicar, mas eu tenho várias coisas que eu tenho que contar para vocês antes de chegar ao ponto do sujeito.


O judaísmo como eu disse não que se baseia na ciência e a tônica aqui é discutir que há várias formas de ser judeu e a minha forma é uma maneira Liberal, uma maneira mais moderna, mais aberta, mas ainda assim baseado em conceitos antigos e fiel a esses conceitos. Eu tive um caso que eu correlato isso de certa maneira, vou chegar na história prometo, que eu tinha um casal que eu converti a moça e casei esse casal; aí eventualmente eles quiseram ter filhos e ela infelizmente não podia carregar a gestação. Ela produzia óvulos mas não podia levar o feto a termo. Então, como eu disse essa moça não nasceu judia, mas se converteu; portanto para nós ela é judia. Então ela convenceu conversando com a irmã, que não era judia, e esta concordou de forma super legal, em ser a com a barriga de aluguel. Não era de aluguel porque ela não pagou, a irmã fez o favor pra ela e então a irmã gestou o feto feito do óvulo dela e o espermatozoide do marido; ambos portanto judeus, criou o zigoto, o óvulo e colocou dentro da cunhada e fizeram gêmeos que nasceram. Então, com os gêmeos veio a pergunta se essas crianças eram judias, uma pergunta excelente, uma pergunta relevante e eu pesquisei muito e a resposta é até curiosa. A resposta é assim, desde o ponto de vista judaico tradicional, judeu é quem nasce de um ventre judaico ou quem se converte; esses sem levar em conta como que esse óvulo chegou lá. O fato é que uma mãe não judia, uma mulher, um amor não é mesmo? Que fazer isso pela irmã. Uma mulher não judia gerou e saiu dela os dois bebês; portanto, desde o ponto de vista ortodoxo, essas crianças apesar de que nós sabemos que tem um óvulo e o espermatozoide judaico não são judeus, teriam que se converter. Já desde o ponto de vista Liberal, tendo em vista que nós entendemos a ciência, a modernidade, que o pai e a mãe são judeus e criaram um óvulo que por acaso ela não pode gerar mas a cunhada gerou (a irmã não judia gerou) então os bebês são judeus e não haveria necessidade de convertê-los; que foi de fato o que eu fiz depois nos dois meninos a Brit Milá deles e tudo isso é para te dar uma ideia da pergunta do 1% judaico anterior.


Essa pergunta do 1% judaico me faz pensar; o sujeito chega e diz: "Rabino, acabei de comer uma bisteca de porco, quanto tempo que eu tenho que demorar para poder comer pudim de leite?" entendendo que você não deve misturar carne com leite, porém a ironia está no fato de que o porco também você não se deve comer. Então o que acontece é o seguinte: 1%, imagine que você tem uma panela de arroz com feijão, tem 99% arroz 1% feijão, você chama isso de arroz com feijão? Você chama isso de feijão? Não! 1% é um erro, um erro de matemática. Mas vai além, eu diria mais, eu não sou, eu tenho que admitir aqui que eu não sou expert, não sei muito disso, mas o que eu entendo é que quando você faz o seu teste de de ADN, que você manda para um laboratório, o que que eles fazem? Eles têm uma base de dados, uma base de dados originalmente funciona assim, se chega a uma pessoa e pergunta: "De onde você é? Quem você é?". No meu caso, eu não diria que "Eu sou eu bom" e eu diria que que "Eu sou um judeu asquenazi." A minha família são judeus que vieram da Polônia portanto asquenazi. Eu diria que "Eu sou um judeu asquenazi" é assim que eu me defino, assim que eu me conheço e aí então eles olharam supondo que eu fosse um dos primeiros exemplos do ADN que eles têm, eles colocam e dizem: "Oh! Esse aqui!" "Oh! Esse aqui é um judeu, acho que é asquenazi!" Porque ele disse que ele é! Com o passar do tempo lógico que eles vão achando mais e mais e mais gente que são descendentes de judeus asquenazi e eles começam a achar os pontos em comum; aí eles acabam achando as áreas comuns que dizem de fato que esse é um ADN de um judeu asquenazi; é desse jeito aqui, baseado na maioria.


Porém, imagina que se tivesse me perguntado quem é que você é Jacques Cukierkorn? E eu disse que eu sou brasileiro, porque de fato eu sou brasileiro, eu nasci em São Paulo. Porém, o meu ADN é importado, eu quero dizer que eu me defino como brasileiro pela minha cidadania, pela minha cultura, pela minha língua, porém, geneticamente eu claramente não sou brasileiro, claramente o único que é verdadeiramente brasileiro é um tupi guarani - ninguém mais. Porém eu poderia ter dito que eu era brasileiro, aí de repente se eu tivesse sido um dos primeiros a dar a minha amostra de ADN e de repente ia ter gente aparecendo nos exames deles de ADN dizendo: "Uh! Você tem 1% de brasileiro." Se ele fosse um judeu asquenazi; porque o ADN dele ia ser semelhante ao meu. porém como eu me defini errôneamente levaria esse erro.


Então, muitas vezes quando a pessoa chega e diz: "Eu tenho 1% de judeu asquenazi", "1% de judeu sefaradi" na minha opinião é um erro matemático. Porém, isso é muito importante: é irrelevante! Se o sujeito chegasse para mim e me dissesse: "Oh, fiz o meu teste e eu tenho 99%, tenho 100% de ADN de judeus asquenazi."; porém, ele nasceu, cresceu e se criou como evangélico ou católico ou budista ou o que for, ele não é judeu porque o judaísmo não se define pelo ADN.


Me aconteceu uma vez que uma mulher me ligou, talvez a pessoa mais famosa que me ligou foi a sobrinha do presidente de um país da América Central. Melhor não dizer qual; para você ver quão relevante eu sou que tão pouca gente famosa relevante me contata, porém essa mulher me contatou e isso faz muitos anos atrás, bem antes de ter teste de ADN: "Eu acho que nós temos tradições sefarad. Eu acho que nós somos judeus." Aí eu falei para ela: "Ah que legal, o que isso significa para você?" e ela falou: "Como assim?", "Olha você tá me procurando porque você acha que eu sou um um expert, e eu sei muito sobre o assunto, que é um fato! Eu escrevi minha tese sobre isso e dava palestra sobre o assunto, porém se você tá me procurando porque eu sou um expert e você me contar a tua história e eu te disser que eu posso te garantir baseado na minha experiência, já que você está me procurando, porque você acha que eu sou um expert", tinha saído anuncio num jornal, artigos em jornais, etc. "Se você tá me procurando e eu te disser 100% seguro que você tem origem sefaradim o que você vai fazer?", ela me falou: "Ah aí eu ia estudar, aí eu ia querer ser mais, eu ia querer aprender mais, eu ia querer me reconverter ao judaísmo." Falei: "Legal! E o que você faria se eu te dissesse 100% seguro que na minha opinião de expert você não tem origens judaicas?", ela me disse: "Ah, eu deixaria o assunto de lado, não me interessaria mais." Então eu falei para ela: "Olha meu amor, você não tem origens judaicas, tchau.", porque? Por quê o ser judeu não tem a ver com seu DNA tem a ver com a sua alma, tem a ver com se você nasceu judeu ou foi criado como judeu, é ter sido, ter vivido como judeu, viver uma vida Judaica, viver numa cultura Judaica. Você não pode até ontem ter sido umbandista e aí hoje você descobriu no teu teste de ADN que você tem 2% de judeu e já andar de peiót, de kipá, de preto e ficar me criticando que eu não pareço um Rabino de verdade. Você faz porque você é um babaca, porque tem gente que faz e porque são babacas.


Então, o ser judeu tem a ver com cultura, tem a ver com educação; e na minha na minha opinião, eu já fiz mais de 500 conversões, eu não creio que haja um Rabino vivo hoje que tenha feito tantas quantos quantas eu já fiz, tem a ver com a sua alma. Eu sim estou disposto a aceitar e acreditar e eu acredito de fato que a pessoa que se converte porque ela tem uma alma judia. Isso não me cabe a menor dúvida. Eu vejo pelo que as pessoas sofrem, o que elas tem que aguentar para poder se converter, para poder chegar lá. Se não há um desejo enorme, uma uma força enorme sobretudo na América Latina que é tão difícil, é porque se a pessoa chega a se converter é porque realmente ela tem uma alma judia que busca regressar. Porém, o ADN não tem nada a ver com isso!

Portanto, se teu teste de ADN deu uma porcentagem de judeu, o que isso significa? Nada! Lamento, e eu também não quero me exibir, mas quando eu fiz o meu teste, a pessoa que fez o teste era um amigo meu, era o dono da companhia, ele me falou que eu seria um outdoor para o judaísmo ashkenazi, porque eu tenho uma preponderância enorme de ADN judaico. Porém o que isso significa? Também nada!


Eu vou contar uma última história para vocês; foi quando eu fui fazer o meu teste, e isso faz muitos anos, uns 20 anos atrás, quando recém começou, o dono da companhia era amigo meu, aí ele me disse: "Jacques, não faça seu teste." Eu disse: "Você é um homem de negócio maravilhoso, você abre o negócio, aí vem um cliente bom como eu, que quer pagar e você diz para que eu não faça. Porque você acha que eu não devo fazer?", e ele falou: "Jacques eu não posso te dar boas notícias.", "Como?", "É muito simples. Você acha que você é um judeu asquenazi.", "É!", "Então, mas você fizer o teu teste no melhor dos casos você vai confirmar o que você acha que é. Porém, e se não for? E se de repente alguma das tuas trisavós, tataravós foi violentada por um cossaco e você tiver o ADN de russos, ou vai saber o que aconteceu?" Porque você entende, quando você faz esses testes de ADN, você vai pra mãe da mãe, da mãe, da mãe, da mãe, da tua mãe, até a primeira mulher e do pai, do pai, do pai, do pai, do teu pai até o primeiro homem. Então você não tá vendo teu avô, teu bisavô, teu trisavô, você tá vendo milhares de anos para trás. Então ele me disse: "Eu não posso te dar boas notícias só posso te dar notícia ruim, que você não é o que você acha que você é.", aí eu falei para ele que: "Bom, cala sua boca, faça seu negócio que eu já paguei de qualquer jeito." Bom, naquele então demorava um tempão para receber o teste, mas como ele era meu amigo demorou umas duas ou três semanas depois, então ele me ligou para me dizer: "Jacques eu tenho seu resultado.", aí eu falei para ele: "Obrigado, mas não me interessa.", ele falou: "Como não interessa? Você gastou dinheiro!", eu falei: "Não, eu vou te explicar. Você me deu a oportunidade de refletir nessas duas semanas sobre quem eu sou. Qual é a minha essência.", porque eu pensei: "E e se eu descobrir que eu sou negro, ou se eu descobri que eu sou coreano? Eu gosto de comida coreana, enfim. Aí o que eu pensei, antes de falar com ele, foi que não me interessa, não importa o que o ADN diga, quem é Jacques Cukierkorn? Quem é o Rabino Jacques Cukierkorn? É um judeu asquenazi! É o que me define, a minha essência, a minha origem, as minhas práticas, as minhas tradições, o meu pensamento, é de um judeu da Polônia de onde vieram meus quatro avôs e que me criaram, meus pais que me criaram e tudo que eu faço em grande essência tem a ver com esse judaísmo não talmúdico, não babilônico, não marroquino, mas vindo da Polônia. Então, eu falei para ele: "Você já me deu o valor do que eu queria, que é saber, que é poder ter refletido quem que eu sou! O resultado que você me der no final é levante.", aí ele falou: "Bacana, mas como você já pagou vou te dar o teu resultado, eu nunca fiz um teste para alguém que tenha tido uma porcentagem tão elevada de gens, de ADN de judeu, J1." Enfim, essa é a minha história.


Shalom!


(Artigo baseado na transcrição do vídeo com o mesmo nome)



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