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Chag Sameach! As Festas Judaicas

  • 28 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Para aquele que não busca apenas fazer, mas conhecer. Para quem não se satisfaz com os dogmas, mas com a razão, e que sonha com a união desta com a religião, deve fazer de “Chag Sameach! As Festas Judaicas”, uma leitura obrigatória em sua trajetória. A obra não apenas nos expõe, mas nos ensina o porquê de cada Festa e o que devemos buscar em cada uma.


O livro nos conduz por uma viagem em ordem cronológica pelas festas judaicas, enfatizando aquelas conhecidas como Grandes Festas. A partir de exposições, comentários bíblicos e rabínicos, bem como perspectivas históricas, entendemos a origem das celebrações e o que se esperar de cada uma no âmbito espiritual. A obra se destaca por ensinar o leitor não apenas a como fazer mas por que fazer cada rito e cada prática, despertando nele o senso crítico e a autonomia espiritual. Apesar de não estar explícito, é evidente que o autor busca inspirar o leitor a desenvolver sua individualidade espiritual, passando de um monólito religioso a um espiritualista crítico, independente e consciente de suas ações. Isso por si só seria suficiente para elencar esta obra no topo do ranking dentre outras do gênero.


Além de aprendermos sobre algumas festas menores como Chanukah e Purim, que não são mandamentos divinos, conhecemos em profundidade três celebrações em especial, a saber: 1) Pessach ou a Páscoa Judaica, como é vulgarmente conhecida.


Perpassamos por sua história e somos levados a refletir sobre sua essência e o porquê de praticá-la. Algo muito interessante é descobrir que, a tradição de se usar um ovo no sêder de páscoa é, na verdade, uma prática pagã adotada de outros povos, como os babilônios, que a realizavam em referência à deusa Astarte, deusa da fertilidade. O autor então faz crítica muito pertinente, apontando que o povo judeu não apenas desobedeceu a Deus praticando ritos daqueles povos, como incluíram alguns deles em sua religião, atribuindo-os ao Senhor; 2) em seguida, logo após passarmos por Shavuot, aprendemos sobre Yom Kipur. Parte de destaque é o conceito de “kapará” e as diversas confusões que rodeiam essa Festa. Basicamente, muitos creem que Yom Kipur é um simples dia do perdão em que Deus nos perdoa de tudo e nada mais precisa ser feito. Porém, ressalta o autor, isso é algo superficial. Na verdade, a data é um momento de reflexão em que buscamos não apenas o perdão, mas a purificação de nossos seres, de tirar tudo aquilo que não é bom de nossas vidas e voltarmo-nos a Deus. Sobre a “kapará” esta não é uma purificação em si, mas uma proteção. Proteção de Deus para nos tornar aptos a receber Sua glória sem que sejamos destruídos por Ela. Ou seja, a “kapará” não é um fim, mas um meio de se receber a Shekinah. O processo é simples, porém profundo: refletimos sobre nossas vidas, reconhecemos nossos erros, nos arrependemos, pensamos sobre como melhorar, buscamos a Deus, recebemos uma capa/proteção, seguida de Sua Luz e, finalmente, somos purificados e podemos recomeçar uma nova fase. Ah! E esse dia não é o ano novo, como se convencionou acreditar, mas o décimo mês, conforme estabelecimento bíblico; 3) Por fim, aprendemos sobre a última Grande Festa do ano que é Sukot, quando habitamos em cabanas em sinal de confiança em Deus. Aqui o autor traz fato relevante de ser mencionado: Sukot não se refere a tendas, mas cabanas. Tendas são objetos grandes e que eram firmados no deserto apenas por povos que se demoravam no lugar. Já cabanas eram mais simples e pequenas, fáceis de serem removidas e transportadas. Como [semi] nômades, os judeus habitavam nas últimas por questões de praticidade, logo, o evento bíblico certamente se refere a elas.


Finalmente, o autor nos incita a buscar entender conceitos hebraicos a partir do próprio idioma e cultura judaicas e, em alguns casos, do Oriente Médio, ao invés de se fiar em traduções que nem sempre conseguem exprimir o real sentido que se objetivou expressar originalmente. Lembremos que línguas refletem culturas e estas são distintas e complexas. Ademais, ser judeu não é seguir um dogma cegamente, ou ao menos não o deveria ser. Mas se trata de ser espiritual, não abandonando, mas usando as habilidades racionais em prol de entender cada ação e obter o melhor que cada uma tem a oferecer, deste modo, alcançaremos o objetivo que o autor tanto nos incita a conseguir: um relacionamento saudável e direto com Deus.

 
 
 

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