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Resenha do Livro Judaísmo Acessível do Rabino Jacques Cukierkorn


Por: José Nathan Andrade Muller da Silva


O povo judeu está submetido a constante exercício de manter sua existência diante das alterações históricas na história da humanidade. A sua peregrinação permite também o reforço da proteção de seu legado pela comparação de valores, culturas e tradições. É um organismo que continua em meio às mudanças. Por causa disso, ele sempre tem um elemento reformista na sua estrutura. A criatura mitológica fênix figura bem na forma do judaísmo.

A tribo de Abraão originou o povo judeu baseado na crença de um deus único. Ficaram conhecidos como hebreus. Eles emigraram para o Egito e foram escravizados por um longo período de tempo. Foram libertados pelo nosso profeta Moisés. Os libertos se chamavam israelitas e exibiam traços de escravizados, mas seus descendentes se desenvolveram para se converterem no povo de Deus. Os israelitas migraram para Canaã e coabitaram a região com outros povos. Davi unificou as tribos e formou um reino. O seu filho Salomão conduziu como um império. Após o falecimento de Salomão, houve divisão entre norte e sul. Posteriormente, o norte foi conquistado pelo império assírio. E o sul é tomado pela Babilônia. O templo é pilhado e destruído. O povo israelita é exilado para a Babilônia. Este também sucumbiu. Os israelitas regressam à terra de Israel. O Segundo Templo foi erguido durante o Império Romano, mas foi destruído após um ataque de Tito.

Durante o exílio, sem templo e sacrifícios, os judeus precisaram aderir ao judaísmo rabínico: A Torá e a sinagoga seriam os componentes centrais da identidade. O povo irá perpetuar como cultura, mas não mais como civilização. Após uma rebelião fracassada de Bar Cohba, houve sanções de Adriano contra judeus. Neste período é escrito o Talmud e desenvolvido a Mishná. O Talmud foi gerado por uma reunião de sábios ao norte de Israel que debatiam elementos necessários.

Essas grandes crises formaram uma semente do caráter reformista perene do povo Judeu. A diáspora adaptou sua civilização em “etnorreligião com elementos culturais”. 

Em seus períodos de exílio em diferentes países, as comunidades procuravam uma forma de se adaptar para continuar a perpetuação da cultura. Algumas comunidades buscavam somente assuntos judaicos e outras procuravam somar-se à sociedade em academias e na erudição em assuntos científicos. Mas, havia sempre um declínio e a necessidade de mudança de país continuava. O surgimento do Reformismo judaico e do movimento chassídico contrastavam as formas que povo judeu procurou adaptar as circunstâncias. Identifico me com o Reformismo clássico pelos seus elementos que vou dissertar à frente, entretanto, eu tenho entendimento que a descentralização do judaísmo e a tomada de diferentes ações por cada comunidade permitiram que os judeus sobrevivessem à prova do tempo e as consequências de grandes eventos históricos.

Somente após a escritura e ativismo de Theodor Herzl surge a hipótese de uma nação santuário para proteger judeus tanto na terra quanto em suas diásporas. Após A Shoá e os eventos da segunda guerra mundial, o povo judeu e a comunidade internacional estava disposta a desenvolver o estado moderno de Israel. Quanto a minha percepção em relação a geopolítica e as atitudes militares de Israel, eu não acredito na possibilidade de ter sido diferente. Tiveram as melhores decisões possíveis para circunstâncias difíceis. 

Existem quatro abordagens judaicas atualmente: O primeiro é o movimento reformista criado pelo Moisés Mendelssohn. É oriundo do século das luzes judaicas. Inspirado em ideais racionalistas, postula Deus como indivíduo perfeito e o mundo como ato criativo. A Torá foi escrita por mãos humanas com inspiração divina. Essa abordagem convida os judeus conviverem em sociedade não judaica e tornando parte da comunidade. O segundo é o movimento ortodoxo que surge no mesmo período. Descreve Deus como uma realidade da Providência e a Torá foi entregue de forma divina. O movimento judaico conservador foi surgido num contexto de sociedade americana. Isso foi no ano de 1913. Carregam elementos do Reformismo de considerar a evolução das idéias, entretanto consideram Deus presente no desenvolvimento nos textos sagrados. Existe ainda o judaísmo reconstrucionista que opera como uma religião que envolve uma interpretação agnóstica da Torá e postula Deus como elemento de esforço coletivo. Acreditam a Torá como um livro de diversos escritores inspirados.

A forma que descreve os ramos como abordagens agrada o aspecto descentralizado do judaísmo. Isso difere do cristianismo que tem um aspecto centralizado e o do Islamismo que procura ser monolítico. 

Cada judeu faz uma proposição sobre o que pensa sobre Deus. O mundo vindouro é um conceito que pode ser a vida após início da era messiânica. Este mundo se tornará perfeito para justos, judeus e não judeus. Deve-se frisar que a revelação é contínua e gradual no Judaísmo reformista. A prática dos preceitos (mitzvot) vai garantir participação desse novo mundo. Não deve se esperar uma recompensa na prática dos mitzvots, é uma obrigação de cada judeu tradicional. Na minha posição de pessoa em processo de conversão, suponho que devo adquirir os hábitos e as leis gradativamente. 

 O conceito de povo eleito significa apenas que são filhos de Deus com regras judaicas, mas que as pessoas que não são do povo eleito são filhos de Deus. Por isso que Deus chorou com a morte dos egípcios durante a travessia do mar. A circuncisão é um preceito e um símbolo de aliança com Deus. A questão do aborto nas sinagogas é vista com apoio ou tolerância. 

Cada festa judaica tem um valor simbólico que gera ritos. Um exemplo é a Pessach que sempre inicia no dia 15 de Nissan e estende por oito dias. Ocorre a sequência da Seder pela qual história da Pessach nas duas primeiras noites. Hagadá é o relato de vida miserável dos hebreus. Matzá é o pão sem fermento que simboliza aflição. Maror usa uma raiz forte que simboliza amargura. Charosset é uma mistura de nozes, maçãs, vinho e canela. Representam a argamassa. Carpás é compostas de salsa, batata cozida ou cebola crua. É uma refeição que significa ceia festiva.  Zeroá é pescoço de frango grelhado ou osso de pata de cordeiro; simboliza o sacrifício. Betzá é ovo cozido e queimado. Simboliza a oferenda queimada. O chefe da casa reclina-se durante a ceia. Há diversos elementos que carregam simbologia que devo aprender gradativamente apreciando o significado espiritual. 

Outro festival de grande importância a ser mencionado é o Yom Kipur. Consideram-o como o grande Shabát. Há jejum de comida, bebidas e outros estímulos físicos para o rito do dia. O período é oportuno para confissão de nossos pecados e para orações. Neste mesmo período, acendem velas em homenagem aos falecidos.

O casamento judaica exige que as duas pessoas sejam judias. O casal tem sua celebração realizada sobre o hupá que representa a sua futura morada. O divórcio é um dispositivo de origem judaica. Antes da separação, do que um relacionamento com amargura. Se o casamento for religioso, o divórcio precisa também. Os filhos bastardos são chamados de mamzerim. 

Em relação à morte, os enfermos não querem ser vistos em situações de degradação pelas doenças. Então o cadáver precisa ser conduzido por seus familiares conforme a mitzvá. A cremação é proibida porque o corpo é um empréstimo dado por Deus e deve ser re-entregue. Na minha posição de trabalho de médico patologista considero desafio saber meu limite de dissecção. Por outro lado, estou de acordo sobre a doação de órgãos (Kevod Hamet). Manter o ser humano no caminho certo é o papel da religião judaica. Os sons de shofar constituem um chamado à consciência ao arrependimento e transgressão. A relação do judeu com Deus é direta. 

Em seguida no livro, discute a formulação do calendários e dias especiais que percorrem a tradição da agricultura em Israel. No final do livro, veem-se tabelas que classificam as diferenças entre abordagens do judaísmo.

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