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O Abismo, a Memória e a Forja do Significado
A experiência humana, ao longo de milênios, tem sido invariavelmente atravessada por episódios de dor indizível, rupturas sociais e traumas coletivos de proporções inimagináveis. No entanto, a forma como as civilizações, e mais especificamente nosso povo, processam a catástrofe dita de forma inexorável o rumo de nossa sobrevivência material e, sobretudo, de nossa saúde psíquica e espiritual. A intersecção profunda entre a etimologia hebraica antiga, a psicologia moderna do tr

Reginaldo Eugenio Ramos Teodoro
16 de abr.29 min de leitura


Sexo e Judaísmo — Parte IX
O impossível necessário: desejo, alteridade e o fracasso que sustenta o vínculo Talvez o pensamento judaico sobre o sexo comece realmente apenas quando abandonamos a pergunta moral mais comum: “o que é permitido?” A tradição nunca permaneceu muito tempo aí. A pergunta mais profunda sempre foi outra, menos confortável: como dois seres irredutivelmente separados podem permanecer ligados sem se destruírem? A Torah nunca apresenta o encontro humano como fusão. Logo no início, em

Reginaldo Eugenio Ramos Teodoro
14 de abr.3 min de leitura


Comentário da Parashat Shemini com o Rabino Jacques Cukierkorn
Shemini, o Oitavo Dia e o Poder de Estar Presente Um rabino perguntou a um frequentador da sinagoga: “Por que você vem à sinagoga?” O homem pensou por um momento e respondeu: “Sinceramente? Eu venho pelas pessoas.” O rabino sorriu e perguntou: “E Deus?” O homem deu de ombros: “Se Deus quiser me encontrar… Deus sabe onde eu estou.” É uma resposta engraçada—mas também profundamente judaica. Porque, na nossa tradição, muitas vezes encontramos Deus não apenas no céu, mas aqui mes

Rabino Jacques Cukierkorn
10 de abr.1 min de leitura


Sexo e Judaísmo — Parte VIII
Lei, Desejo e Responsabilidade: por que o judaísmo nunca confiou apenas no amor Existe uma ideia moderna profundamente sedutora: a de que o amor basta. Que, se o sentimento for verdadeiro, ele próprio produzirá ética, cuidado e permanência. A tradição judaica, porém, sempre desconfiou dessa esperança. Não por pessimismo, mas por uma observação longa da condição humana. O amor, para o pensamento judaico clássico, não é rejeitado. Ele é considerado insuficiente quando não encon

Reginaldo Eugenio Ramos Teodoro
10 de abr.4 min de leitura


Sexo e Judaísmo — Parte VII
O desejo não quer o outro: falta, lei e o perigo do infinito Existe um ponto em que a tradição judaica se torna desconfortável até para quem já caminhou bastante dentro dela. Um ponto em que a linguagem deixa de ser consoladora e passa a ser incisiva. Porque, se levada às últimas consequências, a ética judaica do desejo afirma algo quase insuportável: o problema do sexo não é o excesso de desejo. É o que o desejo realmente quer. E o que o desejo quer, quase nunca, é o outro.

Reginaldo Eugenio Ramos Teodoro
7 de abr.3 min de leitura


Mar’it Ayin: A Ética da Aparência na Tradição Judaica
Mar’it Ayin: quando a aparência também se torna lei Dentro da tradição judaica, existe um princípio que, à primeira vista, parece simples, mas que carrega uma profundidade ética impressionante: מראית עין (Mar’it Ayin) . Em termos diretos, trata-se da preocupação com a aparência de uma ação — não apenas se algo é permitido ou proibido, mas como aquilo é percebido por quem observa. É uma ideia que desloca a ética do campo puramente individual para uma dimensão relacional, onde

Charton Baggio Scheneider
5 de abr.4 min de leitura
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