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Parashat Vayakel com o Rabino Jacques Cukierkorn


A parashá desta semana começa com uma única palavra poderosa:

Vayakel.

“Vayakel Moshe et kol adat bnei Israel” —
“E Moisés reuniu toda a comunidade dos filhos de Israel.”

(Êxodo 35:1)


É uma palavra bonita. Vayakel significa reunir, juntar pessoas, formar comunidade.

E essa palavra aparece em um momento muito particular da Torá.


Logo antes desta parashá aconteceu algo terrível. O povo de Israel construiu o Bezerro de Ouro. As tábuas da aliança foram quebradas. A confiança foi abalada. A relação entre Deus e o povo parecia à beira do colapso.


Se a Torá fosse escrita como um noticiário moderno, esse poderia ser o final da história.


Crise. Fracasso. Colapso.


Mas a Torá faz algo extraordinário.


Moisés não abandona o povo. Deus não abandona o povo.


Em vez disso, Moisés os reúne.


Vayakel.


Ele os reúne novamente.


Rashi explica que Moisés reuniu o povo para ensinar as leis do Shabat e iniciar a construção do Mishkan, o santuário no deserto.


Pensemos nisso por um momento.


Depois do maior fracasso espiritual da Torá, a resposta não é desespero.


A resposta é comunidade.


A resposta é construir.


Não destruir, mas construir.


Talvez essa seja exatamente a mensagem que precisamos ouvir no mundo em que vivemos hoje.


Vivemos em um mundo que muitas vezes parece instável. Nações entram em conflito, surgem ameaças e a paz às vezes parece frágil.


Os conflitos recentes envolvendo o Irã e a aliança entre Israel e os Estados Unidos nos lembram que a busca por segurança e estabilidade não é apenas teórica. É real.


Mas esta semana também vimos que o perigo não existe apenas longe de nós.

Às vezes ele aparece perto de casa.


Um agressor lançou um veículo contra a sinagoga Temple Israel em West Bloomfield, Michigan, uma das maiores sinagogas dos Estados Unidos. Havia crianças dentro. Havia famílias por perto. Pela graça de Deus e pela coragem da equipe de segurança e dos professores, vidas foram protegidas.


Quando algo assim acontece, judeus em todo o mundo sentem.


Porque a história judaica nos ensinou algo profundo:


Uma sinagoga nunca é apenas um prédio.


É uma comunidade.


O Talmud ensina um princípio simples e profundo:

“Kol Israel arevim zeh bazeh.”
“Todo Israel é responsável um pelo outro.”

(Shevuot 39a)


Quando uma comunidade judaica é ameaçada, todas sentem.


E isso nos leva de volta à primeira palavra da parashá.


Vayakel.


Moisés reuniu o povo.


Depois do Bezerro de Ouro, a Torá conta que as pessoas trouxeram voluntariamente suas ofertas para construir o Mishkan.


Cada pessoa cujo coração foi inspirado trouxe sua contribuição.


Alguns trouxeram ouro.


Outros trouxeram prata.


Outros trouxeram habilidades, sabedoria e dedicação.


O santuário foi construído não por reis ou exércitos, mas por uma comunidade.


Como dizem os sábios em Pirkei Avot:

“Quando dez pessoas se reúnem para estudar Torá, a Presença Divina está entre elas.”

(Pirkei Avot 3:6)


A presença de Deus não depende de paredes de mármore ou de grandes edifícios.


Ela aparece quando pessoas se reúnem com propósito, fé, estudo e cuidado umas pelas outras.


Quem ataca sinagogas não entende algo fundamental.


O judaísmo não pode ser destruído atacando um prédio.


Porque o judaísmo não é um prédio.


O judaísmo é um povo.


Um povo que sobreviveu ao Faraó, a Hamã, ao Império Romano, à Inquisição, aos pogroms e ao terrorismo moderno.


Como declarou o profeta Isaías:

“Nenhuma arma formada contra ti prosperará.”

(Isaías 54:17)


A história judaica não promete um mundo sem perigos.


Mas promete algo mais forte:


Resiliência.


Promete que novamente e novamente nós nos reuniremos.


Novamente e novamente reconstruiremos.


Novamente e novamente continuaremos.


Por isso a Torá começa a história do Mishkan não com arquitetura, mas com comunidade.


Vayakel.


Porque o verdadeiro santuário do povo judeu nunca foi feito de madeira ou ouro.


Sempre foi feito de pessoas.


De comunidades.


De famílias.


De congregações como esta.


Toda vez que judeus se reúnem para rezar, estudar, consolar uns aos outros e defender a justiça e a dignidade, o Mishkan é reconstruído novamente.


Talvez essa seja a resposta mais poderosa que podemos dar a um mundo que às vezes parece escuro.


Nós nos reunimos.


Nós construímos.


Nós nos recusamos a permitir que o medo tenha a última palavra.


Que Aquele que abençoou nossos antepassados abençoe todos os que protegem as comunidades judaicas ao redor do mundo.


Que Deus traga cura aos feridos, consolo aos que estão assustados e sabedoria aos líderes das nações que buscam a paz.


E que sempre lembremos da primeira palavra da parashá desta semana:

Vayakel.


Quando nos reunimos, tornamo-nos mais fortes do que qualquer força que tente nos dividir.


E juntos continuamos o trabalho sagrado de construir um mundo digno da presença de Deus.


Amen.

1 comentário


“Nenhuma arma formada contra ti prosperará.”

(Isaías 54:17) Amen🙏

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