Parashat Re'eh: Aprendendo a ver com os olhos da Torá
- Mayra Luanna

- há 2 dias
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A parashá Re'eh recebe esse nome por causa de sua primeira palavra, que significa "Vê!", "Olha!" ou "Enxerga!". Ela deriva do verbo hebraico ראה (ra'ah), que significa ver, perceber, compreender e discernir.
A parashá se inicia com um chamado de Moshê ao povo:
"Vê! Hoje coloco diante de vocês a bênção e a maldição."
(Deuteronômio 11:26)
Embora Moshê esteja falando para todo o povo de Israel, ele utiliza Re'eh, no singular, e não Re'u, que seria o plural de "vejam". Os sábios entendem que a escolha entre a bênção e a maldição é coletiva, mas a responsabilidade de enxergar o caminho certo é individual. Antes de fazer parte da comunidade, cada pessoa precisa abrir os próprios olhos e discernir o bem do mal. Ao mesmo tempo, o uso do singular também lembra que Israel é visto pela Torá como um único corpo, unido por uma mesma aliança.
Na tradição judaica, "ver" vai muito além do ato físico de enxergar. Na Torá, ver significa perceber a realidade com profundidade, reconhecer a presença de Hashem, compreender as consequências das escolhas e desenvolver discernimento espiritual. Moshê não diz apenas "escutem" ou "aprendam". Ele diz: "Veja." É um convite para olhar a vida com consciência.
Essa ideia recebe uma maior robustez em Deuteronômio 12:17–19, quando a Torá determina que as ofertas e os dízimos não fossem consumidos em qualquer lugar, mas no local escolhido pelo Eterno. À primeira vista, o texto parece tratar apenas de normas sobre a celebração. No entanto, a narrativa impede que a espiritualidade se torne algo privado, isolado ou conveniente.
A adoração deveria acontecer em um espaço comum, onde o povo se reunia para celebrar, agradecer e fortalecer seus laços. A experiência espiritual nunca foi pensada para ser vivida apenas individualmente.
Ao chegar no verso 12:19, em Deuteronômio, nós encontramos a passagem:
"Guarda-te de abandonar o levita enquanto viveres na tua terra."
O trecho destaca que o levita não possuía herança de terras e dependia do cuidado da comunidade para viver. Assim, a Torá ensina que nenhuma celebração religiosa é completa quando alguém é deixado para trás.
Podemos cumprir tradições, frequentar a sinagoga e participar das celebrações, mas, se nossa espiritualidade não desperta em nós responsabilidade pelo próximo, ela permanece incompleta. A verdadeira santidade não está apenas no lugar onde nos aproximamos de Hashem, mas também na maneira como tratamos aqueles que caminham ao nosso lado.
Por isso, o primeiro chamado da parashá continua ecoando até hoje: Re'eh (veja). Veja as escolhas que faz. Veja as consequências de seus atos. Veja quem está ao seu redor. Veja quem precisa de ajuda. E, acima de tudo, aprenda a enxergar o mundo com os olhos da compaixão, da responsabilidade e da sabedoria, pois é assim que a bênção começa.
Mayra Pereira
Rivkah bat Emanuel veMiriam




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