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Parashat Tzav com Rabino Jacques Cukierkorn


Nesta semana, a porção da Torá, Parashat Tzav, começa com um mandamento que parece simples, quase silencioso:


“Esh tamid tukad al hamizbeach, lo tichbeh.”
Um fogo perpétuo deverá permanecer aceso sobre o altar; não se apagará.


Um fogo que nunca deve se apagar.


E podemos nos perguntar: por que esse detalhe? Por que a Torá enfatiza essa chama constante?


Mas ao nos aproximarmos de Pessach, essa imagem começa a ganhar um significado mais profundo.


Porque Pessach também é uma história de fogo.


Não apenas o fogo dramático da sarça ardente, nem a coluna de fogo que guiou nossos antepassados no deserto, mas um fogo mais silencioso: aquele que arde dentro da alma humana.


O fogo da esperança.
O fogo da identidade.
O fogo que se recusa a se apagar, mesmo nos momentos mais escuros.


Nossa tradição ensina algo notável sobre esse fogo no altar. O Talmud nos diz que, mesmo quando um fogo celestial descia, os sacerdotes ainda precisavam trazer lenha todos os dias. O milagre não substituía a responsabilidade humana; ele a exigia.


Deus pode acender a chama, mas cabe a nós mantê-la viva.


E essa é a história do povo judeu.


Nunca sobrevivemos apenas de milagres. Nós construímos, agimos, comparecemos. Nós alimentamos o fogo.


Pessach conta a história de um povo escravizado e oprimido, mas ainda assim capaz de caminhar rumo à liberdade. Mas o Êxodo não começou quando Moisés enfrentou o faraó. Começou muito antes.


Começou no momento em que um escravo se recusou a deixar que seu fogo interior se apagasse.


Começou quando alguém sussurrou: “Este não é o fim da nossa história.”


E é por isso que essa mensagem é tão urgente hoje.


Vivemos em um tempo em que o mundo parece instável. O antissemitismo não desapareceu; ele ressurgiu de formas dolorosas. O Estado de Israel vive sob constante tensão, enfrentando ameaças e incertezas. Lemos as notícias e sentimos o peso.

E ainda assim, Tzav nos diz: não deixe o fogo se apagar.


Não o fogo de quem você é.
Não o fogo do pertencimento.
Não o fogo da esperança.

Conta-se uma história sobre o rabino Levi Yitzchak de Berditchev. Certa noite, ele viu um homem trabalhando tarde, iluminado por uma pequena vela. O rabino perguntou: “Por que você ainda está trabalhando a esta hora?” O homem respondeu: “Enquanto a vela estiver acesa, ainda é possível consertar.”


O rabino repetiu essas palavras: “Enquanto a vela estiver acesa, ainda é possível consertar.”

Essa é a nossa mensagem.


Enquanto a chama estiver viva, nada está terminado. Nenhuma situação está além de reparação. Nenhuma escuridão é definitiva.


Pessach nos lembra que a história pode mudar em um instante. Tzav nos ensina que o que sustenta essa mudança é a constância.


A liberdade não nasce apenas de grandes milagres; ela é mantida por atos diários.


Uma palavra gentil.
Um ato de coragem.
A recusa em cair no desespero.
O compromisso de viver como judeus com orgulho e alegria.


A Torá nos diz que muitas oferendas eram feitas com matzá, e não com chametz. A matzá é simples, humilde, sem inchaço. Talvez a Torá esteja nos ensinando que o fogo que dura não é o do ego ou do barulho, mas a chama constante do propósito.


Então, o que fazemos em um mundo incerto?


Fazemos o que nossos antepassados fizeram.


Reunimo-nos à mesa de Pessach e contamos nossa história, não apenas de sofrimento, mas de resiliência.


Ensinamos à próxima geração não apenas o que aconteceu conosco, mas quem somos.

Escolhemos não deixar que outros nos definam.


Alimentamos o fogo.


E lembramos disso:


Nossos antepassados estavam diante do Mar Vermelho com medo em seus corações. Eles não sabiam o que aconteceria. O mar à frente, o exército atrás, o futuro incerto.


E ainda assim, avançaram.


Essa coragem vive em nós.


Ao nos aproximarmos de Pessach, levemos conosco a mensagem de Tzav:


Mantenham o fogo aceso.


Em suas casas.
Em seus corações.
Em sua comunidade.


Porque enquanto o fogo arde, há esperança. Há força. Há um futuro esperando para ser redimido.


Shabat Shalom e Chag Kasher veSameach.

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