MINUTINHO DA HISTÓRIA JUDAICA MODERNA
- José Roitberg

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O chapéu cônico pontudo das mulheres judias da Tunísia e Argélia era uma peça de vestuário obrigatória por descriminação de judeus?
Não.
O chapéu cônico feminino das judias na Tunísia (conhecido como douka/duka, kufia/qufiyya ou, em alguns contextos, variante de coifa/chéchia pontiaguda) era uma cobertura de cabeça tradicional em forma de cone pontudo, frequentemente de veludo bordado a ouro ou prata, às vezes com lenço ou panos pendentes nas costas.
Era usado especialmente por mulheres casadas (estreado no dia do casamento e depois como marcador de estado marital), em ocasiões festivas, Shabat, festas e cerimônias, e também no dia a dia em algumas descrições do século XIX.
Aparece em fotografias, postais e relatos de viajantes (como Guy de Maupassant por volta de 1890) e em coleções museológicas.
Era um elemento identitário e tradicional fortemente associado às judias tunisinas (especialmente do norte), com raízes em práticas de diferenciação de minorias, mas que se consolidou como parte do traje feminino cerimonial e marital. Não era “obrigatório” no sentido de uma lei isolada e permanente apenas para o chapéu feminino no século XIX, mas fazia parte do sistema mais amplo de distinção vestimentária histórica.
Foto colorizada por José Roitberg e merece algumas considerações.
Parece ser uma família, com a esposa vários anos mais jovem que o marido. A doula dela parece ter uma arte em prata, talvez ouro, em quase toda a superfície.
O rapaz à esquerda usa uma chéchia vermelha na cabeça, cor que passou a ser permitida aos judeus após a revogação dos estatutos dhimi no país, em 1858.
A foto foi tirada ao ar livre, sobre um gramado, com um pano como cenário ao fundo. Fotos ao ar livre, e não em estúdios, eram comuns no Norte da África.



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