As Escrituras Sagradas
- David Lisboa

- há 3 dias
- 2 min de leitura

Origem, natureza, eternidade. Lei escrita e lei oral. Leitura pública e prática cotidiana. Se tais expressões despertam interesse e reverência, a obra As Escrituras Sagradas, publicada pela Brit Bracha Brasil, apresenta-se como material de introdução sólida e estruturada ao universo textual do Judaísmo.
Logo em sua primeira parte, dedicada à Lei Escrita, a Torá é apresentada não apenas como texto histórico, mas como revelação dotada de preexistência, propósito e permanência. A pessoa leitora é conduzida por reflexões acerca da origem divina da Torá, sua natureza normativa e sua mensagem ética. Um ponto que merece destaque é a ênfase em sua eternidade e em seu caráter não abrogável. Não se trata de uma lei circunstancial, sujeita a substituições, mas de fundamento perene da vida judaica. Tal posicionamento é exposto de maneira clara, sem hesitação, reforçando a centralidade da Torá na identidade do povo judeu.
A segunda parte desloca o foco para a Lei Oral, contemplando o Talmud e a Mishnah como extensões interpretativas indispensáveis da revelação escrita. Aqui, somos apresentados à riqueza da tradição rabínica e à importância de sua transmissão ao longo das gerações. Destaca-se a menção ao Pirkei Avot, conhecido como Ética dos Pais, cuja sabedoria prática ecoa até os dias atuais. Também se faz referência ao Shulkhan Arukh, código que sistematiza a aplicação normativa da lei na vida cotidiana.
Não menos relevante é a abordagem dos Profetas. O livro apresenta sua lista e ressalta seu papel na condução espiritual e moral de Israel. Ao fazê-lo, evidencia que a tradição judaica não se sustenta apenas na legislação, mas também na exortação ética e no chamado à justiça social proclamado pelos neviim. A Lei e a voz profética caminham juntas, uma estruturando, a outra despertando consciências.
Na terceira parte, o foco recai sobre a leitura da Torá. A obra oferece explicações sobre origens e costumes, detalha as bênçãos recitadas, esclarece a função do maftir e da haftarah, e situa o leitor no contexto litúrgico da prática comunitária. Tal seção possui caráter didático acentuado, sendo especialmente útil àqueles que desejam compreender não apenas o conteúdo da Torá, mas a forma como ela é vivenciada na sinagoga.
Por fim, a pequena sugestão sobre como estudar a Torá funciona como convite pessoal. Não se trata apenas de conhecer, mas de engajar-se. O texto termina reforçando que o estudo não é atividade periférica, mas elemento central da vida judaica. Não é sobre ler por ler, é sobre ler para entender, conhecer e viver a Torá.




..."ênfase em sua eternidade e em seu caráter não abrogável." Amo a palavra eternidade.