Um rabino da Cidade do Kansas implanta uma congregação de judeus latino-americanos

Jacques Cukierkorn é o rabino de cerca de 100 famílias do Temple Israel, de Kansas City, mas todos os sábados sua congregação é inundada por dezenas de outros que entram na sua sinagoga virtual a partir de locais a milhares de quilômetros de distância na América Latina.


            Cukierkorn, nascido no Brasil, atende um número cada vez maior de latino-americanos que estão escolhendo se converter ao judaísmo depois que abandonaram o catolicismo romano dominante na região.

            Seu trabalho de divulgação envolve o ensino de cultura, leis e rituais judaicos para alunos do México, Guatemala, Honduras, El Salvador, Colômbia e Brasil. "Em determinados momentos, tenho até 100 alunos on-line estudando para a conversão ao judaísmo", disse Cukierkorn. "Alguns estão baseados na Cidade do Kansas, mais da metade está no Brasil e o restante, espalhado por toda a América Latina".

            No último mês, o rabino viajou para o Brasil com uma mala cheia de kipá, talit, livros de oração e velas para realizar sua primeira cerimônia de conversão de um grupo de 15 homens e mulheres que estudaram e participaram dos serviços de oração do shabat pelo site britbracha.org por quase dois anos.

            É o único recurso de ensino a distância em língua portuguesa e espanhola para judeus recém-convertidos, candidatos à conversão e aqueles que querem entender os costumes e práticas judaicas.

            Cukierkorn disse que a disseminação de igrejas evangélicas na América Latina outrora predominantente católica abriu as portas a outras práticas religiosas, incluindo uma crescente demanda por explorar a fé judaica.

            Estima-se que há 107 mil judeus no Brasil - concentrados principalmente em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre - uma pequena porção entre os 200 milhões de habitantes do país.

            Charton Baggio de Brasília, capital do Brasil, descobriu que tinha antepassados ​​judeus. Ele foi convertido por Cukierkorn no ano passado na Cidade do México.

            "O rabino Cukierkorn é um líder inspirador e tenho orgulho de tê-lo como meu rabino", disse Baggio. "Mesmo que não o vejamos fisicamente em pessoa a cada semana, sua influência aqui no Brasil e em outros países da América Latina tem sido imensa e em mudado vidas".

            Nos últimos três anos, Cukierkorn converteu 200 latino-americanos ao judaísmo. Mas o trabalho é árduo, particularmente no Brasil, onde os convertidos nem sempre são bem-vindos na comunidade judaica. "É uma sociedade muito fechada", disse Cukierkorn. "Eles preferem os que são judeus de nascimento. É por isso que eu estabeleci a sinagoga virtual para que qualquer um que realmente queira se tornar judeu tenha a possibilidade."

            A cerimônia de conversão no mês passado em Brasília foi uma ocasião emocionante para muitos alunos on-line que se encontraram pessoalmente pela primeira vez. Cada um dos 15 candidatos se apresentou diante de  um beit din, ou tribunal judaico, presidido por Cukierkorn e dois leigos, e respondeu questões sobre a adesão à halachah (leis judaicas e bíblicas). Ao que se seguiu uma purificação ritual envolvendo imersão de corpo inteiro em uma fonte de águas local, já que Brasília não tem uma mikvah tradicional ou banho ritual.

            Os convertidos também mergulharam penas em tinta e ajudaram a completar um rolo da Torah especialmente encomendado. "Todos nós temos a chance de completar a última palavra na Torá", disse ele. "O esboço das letras foi desenhado, mas elas foram deixadas sem tinta para que todos os presentes as preenchessem com uma pena."

            Camilla Baggio, a esposa de Charton, estava entre os 15 brasileiros a se converter. Educada como católica, ela se deparou com a sua ascendência judaica depois de perceber que sua família sempre praticou costumes judaicos tradicionais como acender velas na noite de sexta-feira; usar talheres de cozinha separados para preparar refeições laticínias e de carne; e rejeitar a carne de porco e frutos do mar.

            "Foi o meu sonho durante anos fazer parte do povo de Israel e, finalmente, isso foi realizado", disse ela. Os Baggios podem fazer parte de um antecedente histórico maior. Muitos judeus portugueses fugiram para a América do Sul após o início da Inquisição, estabelecendo-se principalmente no nordeste do Brasil. Esses judeus sefarditas construíram a primeira sinagoga nas Américas na cidade de Recife em 1636, então sob domínio holandês. Mas os judeus foram obrigados a se converter ao catolicismo quando os portugueses recuperaram o controle.

            Para sua tese rabínica em 1994, Cukierkorn estudou o contexto religioso de brasileiros que viviam em áreas remotas no nordeste e na Amazônia, e descobriu que muitos moradores naqueles locais tinham conexões judaicas ancestrais.

            Outros, como Ronald Crusius, que vive em Juiz de Fora, no Estado de Minas Gerais, não tem ascendência judaica conhecida. Desde o início de 2013, ele vem estudando a Torá, aprendendo hebraico, mergulhando na cultura judaica e comemorando os feriados judaicos. "Minha vida tem sido uma busca para encontrar a religião certa para mim", disse Crusius, que anteriormente flertou com o budismo e o islamismo. Tendo se encontrado no judaísmo, ele agora quer fazer um teste de DNA para ver se seus antepassados ​​alemães tinham raízes judaicas. "Creio que finalmente encontrei minha casa espiritual na fé judaica", acrescentou. "É uma religião que manteve a pureza de suas tradições ao longo de centenas de anos, e essa estabilidade e consistência me atraem a ela".

            Ainda outros manifestaram interesse em se converter ao judaísmo através do site da Brit Bracha, mas não podem conseguem arcar com os custos. "Se eles são verdadeiramente sinceros sobre a conversão ao judaísmo, eu sempre estou pronto para ajudá-los a fazer isso", disse o rabino. "Simplesmente peço às pessoas que doem o que podem."

            "Fui acusado de fazer proselitismo no passado, mas não prego o judaísmo", disse Cukierkorn. "As pessoas procuram o site e eu simplesmente ofereço um serviço."

 

 

 

 

[1] Artigo originalmente publicano no Washington Post em 14 de janeiro de 2014.

[2] Tradução: José C. de Oliveira Sampaio

 

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