O Quinto Mandamento

20/05/2018

“Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias sejam prolongados na terra que D’us, teu D’us, te dá” (Êxodus 20:12)
 

Shavuot, como todos sabemos, é a Época da Outorga da Nossa Torá (Zman Matan Torateinu). No primeiro dia de Shavuot o povo judeu inteiro ficou ao pé do Monte Sinai e ouviu os Dez Mandamentos, o alicerce e “raiz” de todos os 613 mandamentos, dos quais 248 são positivos (deves fazer) e 365 são proibitivos (não deves fazer). Durante os quarenta dias e quarenta noites em que Moshê Rabeinu esteve no Monte Sinai, D’us também lhe deu os detalhes de todos os mandamentos, que posteriormente foram escritos na Torá, e explicados oralmente com grandes detalhes e transmitidos de geração em geração, até que esses, também, foram registrados na Mishná, Guemará, Psukim (Códigos da Lei Judaica) e finalmente organizados de maneira clara e ordenada no Rambam e Shulchan Aruch. Entre os 613 mandamentos estão alguns que devem ser cumpridos em determinadas ocasiões, como por exemplo, a mitsvá do Shofar, que deve ser observada em Rosh Hashaná, ou sucá em Sucot, ou matsá em Pêssach.

 

Honrar e temer nossos pais quer dizer observar o Dia dos Pais e o Dia das Mães uma vez ao ano? Certamente não. O estilo judaico é bem diferente. Quando filhos e filhas são desrespeitosos com seus pais, estão desrespeitando a D’us.


Há os mandamentos da observância do Shabat que devem ser cumpridos no sagrado dia do Shabat. Mas principalmente os mandamentos nos foram dados por D’us para regular nossa vida diária. Todos os mandamentos juntos são a maneira de levarmos nossa vida cotidiana. Não há área do nosso dia-a-dia que esteja excluída.


D’us nos deu Suas leis para fazer de nós uma nação sagrada, como dizemos na bênção que recitamos antes de cumprir qualquer mitsvá – “Que nos santificou (nos fez sagrados) pelos Seus mandamentos.” Deve haver santidade em tudo que fazemos, tanto dentro quanto fora de casa, e essa santidade não está limitada a nenhum local em particular (como a sinagoga) ou qualquer dia especifico (como Shabat e Yom Tov). Não apenas são mandamentos que devemos cumprir, dia após dia, como rezar a D’us, fazer uma brachá antes de tudo que comemos e bebemos, usar tsitsit, colocar tefilin, dar tsedacá, e assim por diante. Mandamentos como amar e reverenciar a D’us devem preencher cada momento da vida, e não há um só momento em que estejamos livres deles.
 

O QUINTO MANDAMENTO
 

Falemos sobre um mandamento em particular, o quinto: “Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias sejam prolongados na terra que D’us, teu D’us, te dá” (Êxodus 20:12).


Na segunda vez, quando os Dez Mandamentos são repetidos no Livro de Devarim (Deuteronômio), encontramos as palavras adicionais “como D’us teu D’us te ordenou” e também “para que tudo esteja bem contigo”. Nossos Sábios explicam que a lei de honrar os pais (Kivud Av Vaem) já tinha sido dada em Mará, junto com algumas outras leis, antes que os Filhos de Israel fossem ao Monte Sinai, e foi repetida com os Dez Mandamentos. Isso enfatiza sua importância especial, e explica as palavras “como D’us… [já] ordenou a vós.” Quanto às palavras “para que tudo esteja bem contigo” – elas se referem ao Mundo Vindouro, pois honrar pai e mãe é um mérito eterno.


QUEM VEM PRIMEIRO?


Essas não são as únicas vezes em que honrar os pais é mencionado na Torá. É citado no Livro de Vayicrá (Levítico): “Temerás tua mãe e teu pai”. Nossos sábios notaram que aqui a mãe é citada antes do pai. Eles explicam da seguinte maneira: D’us sabe que um filho é naturalmente inclinado a honrar mais sua mãe do que seu pai porque ela o trata com mimos; portanto D’us colocou a honra ao pai antes da honra da mãe. Por outro lado, D’us também sabe que um filho respeita o pai mais do que a mãe, porque este lhe ensina a Torá; portanto D’us colocou o temor (respeito) a ela antes. Assim, é dever de um filho honrar e respeitar tanto pai quanto mãe, e obedecê-los igualmente.


Mas o que significa “honrar” e “temer” nossos pais? Isso quer dizer observar o Dia dos Pais e o Dia das Mães uma vez ao ano? Certamente não. O estilo judaico é bem diferente.

 

D’us diz: “Eu fiz Minha honra igual à deles, pois nós três somos iguais em honra e respeito.” Quando filhos e filhas são desrespeitosos com seus pais, estão desrespeitando a Ele. Desnecessário dizer, os próprios pais têm de honrar e respeitar a D’us, e se eles ordenarem aos filhos que façam algo contra a Torá, os filhos devem obedecer a D’us acima de tudo. Este é o significado do versículo “Toda pessoa deve temer seu pai e sua mãe, mas Meu Shabat devem guardar; Eu sou D’us, o teu D’us.”
 

REVERÊNCIA E HONRA


O que é reverência por um pai? Quando você está sentado e seu pai chega, você deve levantar-se em sua presença, não deve sentar no lugar dele, e não deve contradizê-lo. O mesmo a respeito da mãe.


O que é honra pelo pai e pela mãe? Prover-lhes comida, bebida, roupas e todas as suas necessidades, e obedecê-los. Rabi Eliezer disse: mesmo que um pai ordene que seu filho atire uma bolsa de ouro ao mar, ele deve obedecê-lo. (Kidushin 31b-32a).


Nossos Sábios nos ensinam: “Se um pai comete um erro nas palavras da Torá, que o filho não diga: ‘Pai, o senhor fez um erro’, mas sim ‘Na Torá encontramos o seguinte versículo.’”


A seguir, um exemplo de respeito aos pais:
 

Certo dia a sandália da mãe de Rabi Tarfon quebrou. Ela quis caminhar pelo quintal de pés descalços. Rabi Tarfon curvou-se e colocou as mãos sob os pés dela por toda a extensão do quintal. Algum tempo depois Rabi Tarfon ficou doente, e os Rabinos foram visitá-lo. Sua mãe disse a eles: “Rezem pelo meu fi lho Tarfon, pois ele me honra mais do que mereço.” Eles perguntaram o que ele tinha feito por ela, que lhes contou. Os Rabinos responderam: “Se ele tivesse feito isso mais mil vezes, ainda não teria cumprido metade da honra ordenada pela Torá.”


O MUNDO VINDOURO

 

Todos estamos familiarizados com a primeira Mishná do Tratado Peá, que recitamos nas preces matinais: Eilu d’vorim – “Estas são as coisas por cujo cumprimento o homem recebe o capital que está reservado para ele no Mundo Vindouro.” Dentre elas é mencionado também Kivud Av Vaem – honrar pai e mãe.

 

 

 

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