HISTÓRIA DA CIL

Os Alemães que compraram terras na década de 1930, tiveram de pôr os seus esforços e recursos para saírem da Alemanha e entrarem no Brasil. O governo brasileiro não permitia mais a entrada de imigrantes para incorporarem-se à força-de-trabalho. As determinações diziam que só poderiam entrar pessoas que tivesse familiares diretos, até de 2º grau, residindo no país por mais de um ano, ou tivessem investimentos industriais, ou fossem proprietários de terras. E para entrarem deveriam, ademais, pagar taxas de emigração.
 
A imigração para Rolândia começou por volta de 1934. O número dos que ali chegaram é impreciso. Através da memória de Max H. Meier e de Gert K. Weser afirmam que foram 80 famílias, já Ethel Kosminsky afirma que era um total de 291 pessoas. Estes emigrantes eram judeus-alemães burgueses que, além dos recursos econômicos, possuíam nível cultural universitário e, consequentemente, de aspiração de vida diferenciada qualitativamente da de um simples colono.

Da Alemanha, não era tão fácil sair. Quem quisesse era só através dos serviços de uma companhia, como a Companhia para Estudos Econômicos. Portanto, para entrarem no Brasil ou saírem da Alemanha, era necessário possuírem recursos. Como na década de 1930, os que estavam saindo da Alemanha eram os chamados, genericamente, semitas, ou seja, judeus-alemães, eles pagavam o que podiam para sair. Não poderiam tampouco, pelas leis alemãs, saírem com seus bens e riquezas, a não ser com bens equivalentes a 10 mil marcos do Reich, que, em 1939, passaram a ser de apenas 10 marcos. O que excedia a 10 mil marcos, e pertences em geral, eram entregues à Companhia para Estudos Econômicos. Com estes recursos, eram compradas as terras no Brasil da seguinte maneira: investia-se na Alemanha em materiais e equipamentos para serem exportados para a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) e tais valores eram transformados aqui no Brasil em terras. A ponte que ligou a estrada de ferro de Jataí a

Londrina sobre o Rio Tabaji, por exemplo, foi importada da Alemanha e aqui seu valor foi transformado em terras para emigrantes judeus-alemães. Desde 1932 começaram a entrar significativamente, no Brasil, emigrantes alemães de origem judaica. Era a perseguição do nazismo, impetrada após a ascensão ao poder do partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, consolidando uma discriminação anterior. 

 

Este tipo de imigração era diferente das que se realizaram até a década de 1920. Normalmente, não eram pessoas com dificuldades financeiras. Fundamentalmente, o que os distinguia era a necessidade de sobrevivência física e imediata, junto com a posse de recursos econômicos para recomeçarem vida nova. Por estas características, geralmente não eram agricultores e/ou camponeses. Não que na Alemanha não houvesse judeus camponeses perseguidos. Estes tinham dificuldade de sair por falta de recursos. Ademais da perseguição em si que dificultava a saída, custava caro emigrar, mesmo havendo instituições internacionais que ajudavam estas pessoas. 

 

Não se sabe o número exato de emigrantes de origem judaica que entrou no Brasil. Por diversas razões, tanto de origem individual, que intencionalmente tendem a ocultar, como de ordem oficial, por falta de estatísticas específicas. Foram várias as razões que fizeram com que os judeus-alemães emigrassem para Rolândia. A primeira, seria a perseguição nazista aos judeus, não só na Alemanha, mas em todos os países ocupados durante a guerra, e que segundo Ethel Kosmisnky, a perseguição foi o motivo fundamental para determinar a emigração. 

 

Outro motivo, foi que eram liberais, ou seja, judeus não ortodoxos, religiosamente falando, e profissionais liberais na sua maioria, preferiram emigrar para uma região onde pudessem manter sua autonomia. O terceiro motivo é o interesse da CTNP em atrair compradores de terras. Mas também porque o dinheiro da venda de terras, para judeus-alemães, ficava nos bancos da Europa. 

 

A quarta causa está intimamente ligada com a terceira. Uma vez que o governo alemão impedia aos judeus a retirada de seus valores, os bancos envolvidos com as companhias de emigração e colonização encontraram uma saída. Os patrimônios eram transformados em materiais e equipamentos para a colonização no “Norte do Paraná”, ou seja, exportados da Alemanha para a CTNP. Esses valores eram convertidos em terras. 

 

Algumas dessas pessoas que emigraram já estavam com cerca de 50 anos, idade pouco propícia para embrenharem-se mata adentro, a fim de começarem nova vida. É verdade que, nesta idade e circunstâncias, tal empreendimento só se faz numa situação limite: continuar vivo ou morrer. 

 

O fluxo de imigrantes judeus da Alemanha para Rolândia cessou no ano de 1939. As terras separadas para estes refugiados foram postas à venda para outros. Estas famílias de origem judaica que refugiaram em torno a Gleba Roland (atual Rolândia), jamais constituíram-se como comunidade judaica (ishuv), com suas instituições: sinagoga, açougue kasher e sociedade mortuária (Chevra Kadisha). Preferiram organizar-se em torno de uma associação cultural chamada Pró-Arte, onde procuravam manter os elementos da cultura alemã, em suas formações musicais e literárias além de debates acadêmicos-científicos. Umas poucas famílias se associaram à Congregação Israelita Paulista (CIP), em São Paulo. 

 

Desta forma, não existe sinais visíveis desta presença em Rolândia, a não ser nos dois cemitérios da localidade, um na zona urbana, o Cemitério São Pedro, e outro, denominado São Rafael, na zona rural. Um terceiro indicativo desta presença pode ser verificado na lista telefônica da cidade, na qual estão presentes sobrenomes de judeus. 

 

Assim, em 2014 um grupo formou-se para estruturar a Congregação Israelita de Londrina (CIL), sob a presidência de Charton Baggio Schneider, com o objetivo de criar um ishuv que pudesse dar condições de seus membros manterem uma vida judaica digna, onde num primeiro momento se estruturou a Sinagoga e Centro Cultural que foi nomeada de Beit Hillel Ben Aharon, em homenagem ao Rabino Jacques Cukierkorn que deu o apoio e estrutura educacional. Assim, a comunidade achou por justiça dar o nome de seu pai (Z’L) à sinagoga. Os próximos passos da Congregação de Londrina é a aquisição de um terreno para instalar a Chevra Kadisha (Cemitério Judaico). 

 

Em pesquisas por este grupo, levantou-se na região (Londrina e cidades circunvizinhas) há atualmente mais de 300 famílias originárias destes imigrantes. A relação de famílias de origem judaica estabelecidas em Rolândia (e que atualmente estão espalhadas pelas cidades da região norte do Paraná) entre 1932 e 1950, a partir dos dados colhidos na arquitetura tumular, nos livros de inumação dos dois cemitérios da municipalidade, na Liste der auf Grund de Johannes Schauff e no rol levantado por Claudia P. Schwengber são: Altman, Appel, Ascher, Bachmann, Baer, Bamberg, Barch, Becker, Beckmann, Behrend, Dender, Bielschowski, Bock, Bredemann, Bresslau, Brinkmann, Bruch, Burjan, Büttner, Frakas, Dannemann, Fendel, Fischer, Flarau, Franke, Freiberger, Goldenberg, Granitz, Grunenwald, Jahn, Hahn, Hasselberger, herberger, Heinemann, Hermann, Hinrichsen, Hirsch, Holderbaum, Isay, Kahn, Kaphan, kirchheim, Kirsten, Koch-Weser, Koschak, Küher, Kunze, Lehmann, Levy, Lidenberger, Lisenberg, Lippmann, Loeb-Caldenhof, Löwenfeld, Maier, Marckwald, Maass, Mayer Molnar, Moser, Möselberger, Moskowski, Nussbaum, Raab, Ranke, Ray, Richer, Rohr, Rosenberg, Rosenthal, Schabel, Scharer, Schlommer, Scneider, Schneidler, Schoenenberg, Schollenberger, Schroeder, Schürmann, Sekles, Simon, Silbermann, Sommerkanpf,  Sommer, Stein, Steinbrecher, Steiner, Tessmann, Traumann, Ulstein, Vogel, Wasser, Weber, Weiss, Wolff, e Zwar. Assim, na atualidade a Congregação Israelita de Londrina busca reinserir estas pessoas novamente a ishuv provendo-lhes uma vida judaica através de serviços religiosos, estudos, preparação às diversas fases do Ciclo de Vida judaico, programações culturais, festividades e convívio social entre os mesmos pares.

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