Curso de Introdução ao Judaísmo

SEÇÃO 2: O HOLOCAUSTO

 

A Shoá ou Shoah é um evento marcante na história judaica que trouxe repercussões inimagináveis, não só em ambiente judaico, mas para todo o mundo. Shoá significa "catástrofe" em hebraico (השואה). Em íidiche, a palavra para Shoá é Churben ou Hurban (destruição). 

 

O termo refere-se ao genocídio de 6 milhões de judeus, cerca de 1 milhão de crianças, 2 milhões de mulheres e 3 milhões de homens judeus, além de homossexuais, pessoas com necessidades especiais, negros, poloneses, ciganos e outros, realizado durante a Segunda Guerra Mundial, em um sistemático sistema de extermínio em massa organizado por Adolf Hitler e o Partido Nazista, com a conivência ou omissão (ao menos inicial) de uma série de poderes locais ou estrangeiros à Alemanha da época. Uma rede de mais de 40 mil subunidades organizadas serviu como entremeio para o maior massacre em massa da história da humanidade. Vamos conhecer um pouco mais sobre isso aqui. 

INTRODUÇÃO

O Holocausto ou Shoá é o resultado de uma logística de estado, bem organizada, com o fim de concentrar, explorar, matar judeus e as demais vítimas, segundo uma ordem que seguia preceitos ideológicos ligados à pureza racial, superioridade ariana e exploração da pobreza e más condições econômicas em favor de garantias de poder e expansão de domínio sobre territórios vizinhos, além, obviamente, do extermínio das oposições a esse regime ou às suas práticas.

 

Tudo isso não nasce de um evento isolado ou das ganas de um louco. As tramas que entremeiam a história por trás do Holocausto são mais profundas e remontam a um conceito antissemita que permeava a cultura mundial por séculos, sendo apenas o culminar trágico de uma história que não começou com Adolf Hitler. 

 

Para termos uma visão um pouco mais ampla, de forma a debruçarmos melhor sobre o tema em estudo, acompanhe os textos e suplementos elencados abaixo. Não se preocupe em decorar termos ou datas. Mais importante que a cronologia em si, é entender o processo ocorrido. Simultaneamente, trataremos de temas acessórios que expandam a linha de raciocínio e o conhecimento geral.

APRESENTAÇÃO

 

Esta Segunda Sessão tem por objetivos de aprendizagem:

 

1) Contextualizar a Shoá em uma perspectiva histórica e, como marco da relevante ao judaísmo, relembrar fatos que são necessários ao conhecimento geral.

2) Estabelecer subsídios técnicos de conhecimento, estabelecendo uma análise profunda dos acontecimentos relativos à Shoá.

3) Desmistificar pontos básicos relativos à Shoá.

4) Estabelecer pontos e parâmetros que servirão de base a estudos posteriores.

 

ATENÇÃO: Não aceitaremos brigas, revanchismos, agressões ou qualquer manifestação que vá contra os objetivos do curso ou contra a civilidade básica. Respeite as opiniões alheias. Caso isso não seja respeitado, infelizmente, expulsaremos imediatamente o (a) (s) responsável (eis).

Adolf Hitler (de maldita memória)

Sob o nazismo, os campos de concentração foram usados como parte de uma estratégia de dominação de grupos étnicos e dissidentes políticos, chamada Solução Final*. Desde 1933, quando os primeiros grandes campos de concentração foram construídos em Boyermoor e Dachau, oito milhões de pessoas perderam seus nomes, substituídos por números, obrigadas a usar símbolos de identificação, foram escravizadas ou transformadas em cobaias. Muitas delas morreram vitimadas por doenças, como tifo e cólera, enquanto outras eram enviadas aos campos de extermínio para serem eliminadas em câmaras de gás.

Soldados nazistas em frente a uma loja em Berlim colando uma placa com os dizeres: "Alemães! Defendam-se! Não comprem de judeus" (em alemão: "Deutsche! Wehrt Euch! Kauft nicht bei Juden!").

*Solução Final = Termo associado à proposta de Hitler para resolver os problemas socioeconômicos, incluindo a "questão judaica". Conceito ligado à ideologia da superioridade ariana. Basicamente, a Solução Final envolvia a morte dos opositores ao regime e a criação de um estado supranacional de ideologia ariana e controle central. Os nazistas usaram a frase Lebensunwertes Leben (indignos da vida), em referência a suas vítimas, na tentativa de justificar os assassinatos

Mapa dos Campos Nazistas - Clique na imagem para ampliar.

A Conferência de Wannsee, em 20/01/1942, foi a discussão por um grupo de oficiais nazistas acerca da "solução final da questão judaica" (Endlösung der Judenfrage), estopim da Shoá. Os objetivos traçados previam a expulsão dos judeus de todas as esferas da vida do povo alemão. Foram discutidas medidas a tomar e o conceito de "deportação" dos judeus para o Leste da Europa foi introduzido. Conforme as anotações reunidas a respeito, os judeus teriam uma forma de "trabalho apropriado... no curso do qual sem dúvida uma grande porção será eliminada por causas naturais", o "resto final será... tratado de forma apropriada, porque, se libertado, iria agir como semente de uma nova restauração judaica".

Vídeo 1 - Sobreviventes do Holocausto

Mas o Antissemitismo Começou com Hitler?

Será que o antissemitismo é um fenômeno moderno? A ética judaica ou seus costumes são vistos de forma negativa apenas nos dias atuais? Foram os cristãos que iniciaram uma política antijudaica?

Os primeiros registros de sentimentos antijudaicos remontam à Antiguidade grega, com registros de Manetanis, Hecateu e Filonis a respeito de uma suposta misantropia e má hospitalidade judaica, além de serem "bárbaros".  O sacerdote Manetanis (Manetão) escreveu que os judeus teriam sido "leprosos expulsos do Egito", intruídos a "não adorar os Deuses".

Outros autores como Qheremon, Lisimacus, Posidonius, Apolonius Molonis, Apius, Tacitus (Severus) e Agatarkidhes falavam sobre as práticas judaicas como "ridicularmente ininteligíveis" e das "leis absurdas" que levaram à ocupação de Jerusalém (320 a.EC), porque o povo estava guardando o shabat.

Suetonius relatou a expulsão judia promovida pelo imperador romano Tiberius, ao redor do ano 19 EC, quando ordenou que "todos os judeus fossem banidos de Roma". Além disso, enviou 4 mil judeus à Sardenha para punições por negarem-se a servir o império como soldados, "devido às leis de seus antepassados". Dinasius relatou que as conversões que os judeus promoviam, então, foram o estopim para a expulsão por parte de Tiberius, já que "atrapalhavam o culto aos deuses e a coleta de impostos". 

 

No ano 70 EC, o segundo templo foi destruído como parte da estratégia de ocupação romana e, a despeito da política concessiva às demais religiões, o império não permitiu que fosse reconstruído o Templo. Como continuidade às políticas de ocupação e o número crescente de supostos libertadores de Israel (mais de 400 "messias" que tentaram diversas rebeliões e revoltas), a política de Roma variava entre atribuir certas concessões especialmente aos poderes mais concordes com a dominação e agir de modo feroz contra as manifestações "dos bárbaros". No século II, a frustrada revolta de Bar Kochba marcou a ferocidade do período, com grande número de mortos e feridos.

Questões Comerciais e Econômicas Co-Motivadoras Para o Holocausto?

Vídeo optativo - Documentário da BBC de Londres sobre Auschwitz e as questões econômicas por trás do Holocausto. Legendado.

"Dado o nível de organização judaica e sua capacidade notória em educação e formação de recursos, não apenas no período de guerra, mas, sempre na história europeia, era uma política aceitável desapropriar os judeus de seus bens, incorporando-os ao estado, como forma de conseguir mais facilmente os recursos para sustentar a política de estado. Para as fábricas de Hitler, mão-de-obra qualificada era uma premissa urgente. Para Portugal e Espanha, os bens judaicos foram um aditivo ao que conseguiam nas colônias. O sucesso dos judeus nos negócios pode criar essas situações? Não. Isso sozinho não explicaria. Uma carga de ódio e de contrariedade diante dos princípios da fé judaica serviam de anteparo a essas ações. Os judeus eram usurários (emprestavam a lucro), mas os cristãos não. Apenas ao Papa era permitida a usura. Ora, foram os judeus algo mais do que a antítese de um estado cristão?"

Michael Berger

Vídeo 2 - Documentário BBC - Auschwitz

Histórias de Coragem

Nesta terceira parte, veremos uma aula do rabino sobre um capítulo de seu livro a respeito do tema. Trata-se da análise de uma das sobreviventes ao Holocausto. Quanto de complicações psiquiátricas decorreram do Holocausto? Será que Anna Schiff, mesmo criando uma nova família, não estava sendo sincera ao dizer que "O nazismo a havia roubado tudo"? É um assunto relevante para todos, de forma que nunca nos esqueçamos de algo tão terrível. E que nunca ocorra nada igual, de novo. Leia o capítulo antes de ver o vídeo, clicando no botão ao lado.

Vídeo 3 - Aula aberta "Anna Schiff"

Por Que Sou Judeu?

Vídeo 4 - Por que sou Judeu?

Bônus

Se quiser saber mais sobre o Holocausto e as histórias dos sobreviventes, adquira o livro "Gente de Coragem". Escrito pelo Rabino Jacques Cukierkorn, o livro aborda diversas histórias de sobreviventes. Como e em que medida o Holocausto pode nos ensinar a sermos melhores judeus, melhores seres humanos?

Vídeo 5 - Palestra em evento em Rio Claro 2016 - "Holocausto e Paz"

Clique na imagem...

Seção de Dúvidas

Nesta nova fase do curso aberto, não mais será realizada sessão ao vivo com o rabino. Caso tenha interesse em ter contato mais a fundo com o rabino, sugiro solicitar membresia Premium, clicando aqui.

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